Marco Stefanini. Foto: Baguete.

A Stefanini planeja expandir os negócios para além da TI para incrementar o crescimento que este ano chegará a 50% sobre 2011, resultando em faturamento de R$ 1,9 bilhão.

“Vamos investir em incremento de portfólio com soluções para mercados como o de seguros, financeiro, telecom, saúde. Um exemplo de nosso foco já direcionado a esta expansão é a Orbitall, que não é uma empresa de TI: é uma empresa de cartões, de meios de pagamento”, comentou Marco Stefanini, CEO da companhia, em coletiva à imprensa nesta quinta-feira, 06.

A Stefanini fechou a compra da Orbitall este ano.

A adquirida é uma spin off do Itaú, nascida como braço da administradora de cartões de crédito Credicard, e oferece soluções como processamento de cartões de bancos e varejo, BPO financeiro e operações de atendimento específico a demandas de seguros e sinistros, entre outros.
Pistas exatas sobre as novas soluções por vir, Stefanini não dá, mas destaca outra aquisição recente como fomentadora da estratégia de incremento da oferta.

É a Woopi, empresa de Sorocaba e focada em aplicações para Internet, o passo da companhia em inovação.

“É nossa estratégia de longo prazo. Fazer negócios na Internet será cada vez mais uma das principais atividades. A web não é apenas uma maneira de divulgar marcas, mas um mercado rico em oportunidades a serem exploradas”, comenta o executivo.

A CEO da Stefanini no Brasil, Monica Herrero, define a Woopi como especializada em todos os segmentos do mundo digital, de aplicações móveis a portais, hot-sites, gamificação e redes sociais.

A empresa do interior paulista também atua em estratégias de marca, executadas em conjunto com agências de propaganda, e em medição de resultados de mídia digital.
“Com eles, estamos criando um novo centro de P&D, em Sorocaba”, conta Monica. “Já temos alguns cases bem interessantes na parte de mobilidade, de portais”, completa, sem mais detalhes.

CRESCIMENTO CONTIDO
Terceira empresa brasileira mais internacionalizada, segundo ranking da Fundação Dom Cabral, e com fatia de 35% de seus negócios no exterior, a Stefanini também tem nos planos o reforço da atuação fora do país.

São mais de 17 mil colaboradores, dos quais 40% estão no exterior, onde a empresa tem presença em 30 países, com 76 escritórios, no total.

A meta é expandir nos EUA, especialmente região Oeste, sem definir se o fará via instalações locais ou aquisições.

É bem possível que a primeira opção seja mais válida.
Marco Stefanini avalia um 2013 de “não muita bonança”, com margens pequenas de crescimento em todos os mercados, em função da crise externa.

Com base neste cenário, o CEO da companhia que já comprou nove empresas faz planos parcos para novas aquisições.

“De nosso crescimento hoje, metade foi proporcionada por aquisições e a outra metade se deu de forma orgânica. Para 2013, poderemos fazer pequenas aquisições. Grandes, não. E nada nos primeiros meses”, assegura Stefanini.

O crescimento esperado para o ano que vem é de não mais de 15% sobre 2012.

Dentro de casa, o crescimento está garantido: conforme Stefanini, seis mil novas contratações estão agendadas para o ano que vem, além de investimento em qualificação e nas operações.

Na Orbitall, por exemplo, R$ 150 milhões serão investidos ao longo de três anos em várias frentes.
Uma delas, um novo data center, já anunciado em agosto deste ano e que levará a operação hoje ainda localizada dentro do Itaú para um parceiro não nominado.

Outros focos são DAC (Distribuidor Automático de Chamadas), ampliação da oferta de BPO e estruturação da equipe de apoio (RH, administrativo e financeiro).

“Também haverá aumento da capacidade de TI, reformulação de layouts e criação de uma nova unidade de negócios para comercialização de serviços diferenciados”, conta Stefanini.

AS BOLAS DA VEZ
Nuvem, mobilidade e big data.

As palavras de ordem do mercado de TI também estão no foco da Stefanini.

No Brasil, que representa 65% de seu faturamento, a companhia aposta em cloud com serviços de arquitetura para o modelo, integração, desenvolvimento, implementação e customização de aplicativos SaaS.

“Além disso, oferecemos nossa expertise em fábricas de software e apoio do seu centro de excelência em SOA”, explica Monica.
Em mobilidade, a mira está no uso corporativo de tablets e celulares.

Para big data, os investimentos da companha devem se destinar a soluções de trabalho com dados, como BI, segundo a CEO no Brasil.

“Para apoiar nossos mais de 500 clientes, possuimos parceiros focados em soluções para gestão de grande volume de dados e de Business Intelligence”, destaca ela.

REFORÇO GERAL
Além dos mercados já citados, a Stefanini também se prepara para reforçar sua atuação nos segmentos de varejo, mineração e siderurgia, que conforme Monica “se destacaram nos resultados de 2012”, além de educação.

“A educação é base para crescimento do país, e promete demandar as áreas de TI das empresas”, finaliza a executiva.

No Brasil, a Stefanini mantém 27 escritórios, em São Paulo, Porto Alegre, São Leopoldo, Jaguariúna, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Brasília, Recife, Fortaleza, Macaé, Aracaju, Alphaville, Belém, Vitória e Poços de Caldas.

A lista de aquisições da companhia inicia em 2009, pela brasileira Document Solutions, e segue com Vanguard, Sunrising (Brasil) e TechTeam (USA), em 2010; CXI (EUA) e I&T (Colômbia) em 2011, Orbitall, Woopi (Brasil) e Top Systems (Uruguai) em 2012.