Glauco Arbix, presidente da Finep. Foto: Agência Brasil.

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A Finep anunciou o lançamento do Inovacred, um programa de financiamento operado de maneira descentralizada e focado em micro, pequenas e médias empresas.

A estatal federal de financiamento de atividades inovadoras, ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, fará os empréstimos através de agentes como bancos de desenvolvimento, agências estaduais de fomento e bancos estaduais.

Os valores poderão variar de R$ 150 mil a R$ 2 milhões. O pagamento será corrigido pela TJLP, que em dezembro caiu de 5,5% para 5% ao ano. O prazo de carência será definido por projeto, não podendo superar 24 meses.
    
Cada agente terá recursos disponibilizados no valor de até R$ 30 milhões para o financiamento de empresas com receita operacional bruta de até R$ 90 milhões.

Em cinco anos, o programa espera financiar cerca de duas mil companhias – entre R$ 300 milhões e  R$ 2 bilhões - e cadastrar 20 agentes financeiros.

Os agentes ficarão encarregados do recebimento, análise e enquadramento das propostas, liberação e acompanhamento dos projetos e recursos.

“Vamos descentralizar não só a subvenção, como também os empréstimos. Os parceiros estaduais irão conferir mais capilaridade à nossa atuação", afirma Glauco Arbix, presidente da Finep.

Essa é a segunda investida recente da Finep no sentido de descentralizar a concessão de financiamentos.

Em setembro do ano passado, foi a vez do Tecnova, com R$ 240 milhões em recursos para micro e pequenas empresas com faturamento anual até R$ 3,6 milhões. Do total, R$ 50 milhões vieram do Sebrae.

A meta é que cerca de 700 empresas sejam apoiadas em todo o território nacional. Elas receberão, cada uma, recursos que variam de R$ 120 mil a R$ 400 mil. Os governos estaduais devem indicar as instituições responsáveis até o final de janeiro.

Mas não é a primeira investida da Finep no sentido de descentralizar a sua operação. Lançado em 2009 com uma previsão de investir R$ 1,4 bilhão, o Prime foi o pioneiro nessa direção.

Operado por 18 incubadoras de empresas ligados a parques tecnológicos em todo o país, o programa não decolou.

As entregas do primeiro Prime ficaram em R$ 165,6 milhões, 27% abaixo da meta estabelecida, o que significa que recursos disponíveis não foram captados. Os financiamentos eram de R$ 120 mil, concedidos a fundo perdido.

Das 4581 empresas que se candidataram aos recursos do Prime, das quais só 1380 conseguiram cumprir os requisitos e apresentar uma ideias que pudessem ser consideradas inovadoras pela Finep.

Embora não haja uma confirmação oficial nesse sentido, tudo indica que a Finep decidiu enterrar o projeto de financiar pequenas empresas ligadas a incubadoras e decidiu botar suas fichas em players com mais experiência na concessão de crédito.

Como qualquer empresário inovador que já bateu na porta de um banco com uma ideia na cabeça e um plano de negócios na mão, a estratégia pode apresentar outro tipo de complicações.