Mauricio Cascão, CEO da Mandic.

A Mandic, empresa de cloud computing sediada em São Paulo, abriu uma filial em Porto Alegre para comandar o atendimento à região Sul do país, que hoje responde por 25% do faturamento e cerca de um sexto das 600 maiores contas da empresa.

Até agora, a empresa só tinha filiais em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

O contratado para comandar a operação na capital gaúcha é Eduardo Pibernat, executivo que até outubro era gerente de vendas da UOL Diveo para a Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Pibernat é um profissional experiente, com 20 anos de mercado, boa parte dos quais em diversos cargos da Diveo e depois da aquisição pelo UOL, da UOL Diveo. O contratado da Mandic também trabalhou na GVT, como diretor de canais corporativos do Rio Grande do Sul.

A equipe da Mandic em Porto Alegre contará também com um time de cinco executivos de contas e um pré-vendas dedicados.

Como o perfil de Pibernat e o tamanho da equipe indicam, a Mandic, uma companhia com faturamento de R$ 50 milhões no ano passado, alta de 66%, quer entrar de cabeça no mercado local e obter aqui uma fatia relevante da sua meta de dobrar de tamanho em 2015.

“Estão mapeadas ainda para os próximos dois anos outras cidades-chave como Caxias do Sul, Pelotas, Canoas, Santa Maria e demais polos industriais”, revela Mauricio Cascão, CEO da Mandic.

Cascão prefere não falar sobre a concorrência, mas é fácil palpitar que o Mandic, capitalizada por um aporte de R$ 100 milhões da Riverwood em 2012 e outro de valor não revelado da Intel Capital no final de 2013, vai para cima da UOL Diveo, empresa que atualmente passa por um momento conturbado.

Ainda em novembro, a UOL Diveo promoveu uma grande dança das cadeiras no seu alto comando, visando colocar em prática o plano de posicionar a empresa como um player relevante de serviços de TI.

Também é verdade que a UOL Diveo tem uma oferta mais diversificada que a Mandic, incluindo cloud computing, mas também meios de pagamento, EDI, documentação eletrônica, supply chain e até serviços Oracle como resultado de meia dúzia de aquisições de empresas de tecnologia feitas desde 2009.

Apesar de menos complexo do que o processo atravessado pela UOL Diveo, a Mandic, por sua parte, também está em processo de integração de operações diferentes.

O negócio atual é uma combinação do negócio de software como serviço da Mandic (principalmente o software de e-mail pelo qual a empresa era mais conhecida, junto com carismático fundador, Aleksandar Mandic, hoje fora da operação) com a oferta de cloud da antiga Tecla.

Cascão valoriza as origens relativamente recentes da empresa, destacando que a Mandic “apostou desde o começo em uma aposta totalmente baseada no conceito de nuvem”, ao contrário de players mais antigos no mercado que ainda teriam “ofertas mistas”, incluindo hosting de servidores de clientes, por exemplo.

A Mandic nem sequer tem uma infra física. Sua operação roda nos data centers da Alog em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os centros do fornecedor estão entre os pouco mais de uma dezena de certificados Tier 3 no país hoje e a Alog está ela mesma também cacifada pelo compra por parte da Equinix dos 47% da empresa que ainda não estavam sobre o controle dos americanos em julho do ano passado.