Andrea Mangoni. Foto: divulgação.

Menos de um ano após assumir o cargo, o presidente da TIM Brasil, o italiano Andrea Mangoni, renunciou, conforme divulgado em fato relevante enviado pela empresa à Bovespa na noite da quarta-feira, 06.

Mangoni permanecerá à frente da operadora até 04 de março. Depois disso, um dos nomes mais cogitados para assumir o cargo é Rodrigo de Abreu, que já havia sido mencionado por fontes de mercado como o sucessor na TIM e esta tarde anunciou que deixará a presidência da Cisco, onde será substituído por Rodrigo Dienstmann.

A nota oficial da TIM informa que a renúncia do italiano se deve ao fato dele julgar “cumprida a missão para a qual foi encarregado no sentido de comandar uma transição tranquila na gestão da companhia".

Mangoni assumiu a presidência da TIM em maio de 2012, quando Luca Luciani renunciou a todos os cargos que exercia nas empresas do Grupo Telecom Italia, incluindo a liderança da operadora móvel no Brasil.

Na época, Luciani foi alvo de uma investigação movida por autoridades italianas sob suspeita de fraudes na venda de chips da operadora para inflar a base de clientes.

Com a nova alteração na presidência, a TIM ainda não se pronunciou sobre um nome para reocupar posto.

Em nota oficial, o Conselho de Administração da tele apenas informou que irá eleger um novo presidente “no menor prazo possível”.

A saída ocorre em um momento nebuloso para a TIM.

Se no balanço de 2012, divulgado praticamente junto com a nota de saída de Mangoni, a operadora relatou aumento de 10% na receita líquida ano/ano, chegando a R$ 18,7 bilhões, e aumento de 6,3 milhões na base anual de clientes, somando mais de 70 milhões de assinantes, alguns setores demonstram baixa.

A telefonia fixa, por exemplo, braço em que a TIM entrou em 2009, quando comprou a Intelig por R$ 650 milhões.

Em 2012, a receita bruta de serviços fixos da operadora recuou 27,5% entre o primeiro e o quarto trimestre, indo a R$ 301,8 milhões em dezembro.

Na divulgação dos resultados na quarta-feira, 06, o próprio Mangoni avaliou o desempenho da Intelig como “abaixo das expectativas".

Tirando as adversidades macro, a TIM também vem tendo uma série de pequenos problemas como o recém relatado com usuários do DDD 11 que tiveram problemas para realizar ligações na terça-feira, 05, devido ao rompimento de cabos de fibra óptica em parte de São Paulo.

A falha afetou cerca de 15% (1,7 milhão) de clientes da empresa e rendeu uma notificação do Procon-SP, que exige que a empresa preste esclarecimentos sobre a rede e sobre que providências irá tomar.

Por falar em Procon, no Rio Grande do Sul a operadora também teve seus perrengues com o órgão de defesa do consumidor.

Em janeiro passado, foi inscrita na dívida ativa de Porto Alegre, junto com Oi, Claro e Vivo, pelo não pagamento das multas impostas pelo Procon da cidade em julho de 2012, punindo as teles por falhas em serviços de telefonia móvel e internet 3G.

A punição, que chegou a culminar na suspensão temporária das vendas de chips das marcas na cidade, gerou multas de R$ 166 mil para TIM e R$ 138 mil para Claro, Oi e Vivo.

Como nenhuma delas honrou a dívida nas datas previstas, foram induzidas à dívida ativa, e caso reincidam na não quitação dos débitos, poderão ser penalizadas novamente com a suspensão de atividades, conforme artigo 56 do Código de Defesa do Consumidor.

DERRAMADA
É o segundo presidente de operadora de telecom a deixar o posto no Brasil em menos de um mês.

Em 22 de janeiro a Telemar anunciou a saída de Francisco Valim da presidência da Oi, alegando apenas decisão do conselho de administração da companhia, que elegeu José Mauro Carneiro da Cunha como novo diretor-presidente em caráter interino.

Contratado em 2011 por R$ 100 milhões, Valim assumiu a presidência da companhia para colocar em ação sua experiência em empresas como Experian e NET Brasil, alavancando os negócios da Oi, que ocupa a última posição entre as quatro operadoras nacionais.

O plano inicial era de que Valim presidisse a companhia por quatro anos. Ao sair da empresa, o executivo somava não mais do que um ano e meio no posto.

Assim como a TIM, a Oi também passou por complicações no último ano, lidando com um aumento de sua dívida, devido a gastos crescentes causados pela incorporação da Brasil Telecom, uma operação em andamento desde 2008.

Em setembro, a tele suspendeu por um mês o pagamento de fornecedores, o que alguns entenderam como jogada para aliviar perdas no balanço, mas a empresa negou, dizendo ter sido uma necessidade para troca de seu software de gestão.