Ballmer ficou chateado. Foto: divulgação.

Admitindo o fracasso. Essa é a opinião de analistas sobre a mudança que a Microsoft está preparando para o Windows 8, que deverá ser revisto e reformulado em suas próxima versão, o Windows Blue.

Segundo informações do Financial Times, a empresa norte-americana deverá mudar aspectos-chave do software, já que a mistura da interface de desktop e tablet proposta pelo sistema não foi bem aceita pelos analistas, e pelo lado dos consumidores, não foi bem compreendida.

A substituição do familiar desktop e das barras de tarefas por janelas e animações foi um movimento ambicioso, conforme apontam especialistas, mas muitos usuários de PC não gostaram, preferindo uma abordagem mais tradicional.

Uma pesquisa divulgada pelo Gartner mostrou que os desktops Windows 8 e notebooks tiveram uma queda de 4,3% no quarto trimestre, caindo para 90,3 milhões de unidades comercializadas.

Em entrevista ao jornal inglês, a chefe de marketing e negócios do Windows, Tami Reller, admitiu que usuários estavam tendo problemas ao dominar o novo software. "A curva de aprendizado é definitivamente real", disparou.

A empresa de Redmond também admitiu que falhou ao não preparar vendedores e usuários para se reeducarem para a nova interface, assim como não fez corretamente o seu marketing para mostrar as diferenças do Windows 8 em uma luz mais positiva.

"É muito claro que poderíamos e deveríamos ter feito mais", completou Reller, que amenizou um pouco ao dizer que a satisfação dos consumidores do Windows 8 em dispositivos touchscreen é forte.

A corneta não veio somente dos usuários e dos reviewers especializados. Tim Cook, CEO da Apple, comparou a proposta do Windows 8 à experiência de "combinar uma torradeira a uma geladeira".

"É possível, mas provavelmente não vai agradar o usuário", falou o executivo em abril do ano passado.

BALLMER FALHOU?

Para analistas, esta mudança súbita de percurso na Microsoft pode ser um baque para o CEO Steve Ballmer, que destacou o lançamento do Windows 8 como um "vai ou racha" para a companhia.

“É horrível que uma coisa dessas aconteça para o seu produto principal - ele vai responder por isso", afirmou o analista Mark Anderson, que por outro lado comendou o trabalho do executivo por correr riscos com novos produtos como o Win8..

"Há um nível de risco e criatividade que nunca teria acontecido há dois anos atrás", observa.

Outros especialistas compararam este "mea culpa" da Microsoft com o incidente da Coca-Cola nos anos 80, que lançou uma nova fórmula, mas que foi rejeitada pelos consumidores. A fabricante retornou a fórmula antiga em menos de três meses.

"Isto (da Microsoft), é como a New Coke, se estendendo por sete meses - só que a Coca-Cola prestou mais atenção", disparou o analista Richard Doherty, em declaração ao Financial Times.