Luciano Coutinho. Foto: divulgação.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nesta quarta-feira, 07, a criação do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Aeroespacial, primeiro na América Latina voltado para o setor.

Fruto de uma iniciativa conjunta do BNDES com a Finep, a Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve-SP) e a Embraer, o fundo tem o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial.

Os aportes são destinados a pesquisa e desenvolvimento em aeronáutica, defesa e segurança, promovendo a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas.

O patrimônio inicial do fundo será de R$ 131,3 milhões, com partes de R$ 40 milhões investidas pelo BNDESPAR, Embraer e Finep, e mais R$ 10,3 milhões da Desenvolve-SP e R$ 1,3 milhão aportados pela Portbank, gestora do fundo.

O FIP foi estruturado com elementos de Corporate Venturing, isto é, a partir do esforço corporativo de uma empresa estratégica do setor, no caso a Embraer.

Segundo Luciano Coutinho, presidente do BNDES, o fundo cria um canal permanente que permite o contato mais próximo entre a empresa estratégica do setor e empresas inovadoras destes setores.

“O apoio a micro e pequenas empresas de base tecnológica, com o suporte de grandes companhias de setores correlatos, tem grande sintonia com o papel do BNDES. Esperamos e estamos trabalhando para que outras empresas sigam o caminho trilhado pela Embraer”, disse Coutinho.

O fundo de venture capital será destinado a empresas de pequeno e médio porte com faturamento bruto de até R$ 200 milhões/ano) em todo o território nacional.

Contando com o apoio do estado de São Paulo, este fundo chega em um momento de indefinição do Polo Espacial Gaúcho, que teve um impulso durante o ano passado, capitaneado por um projeto da AEL Sistemas, que desenvolveu um microsatélite.

Embora tenha sido selecionado entre os finalistas do edital Inova Aerodefesa, da Finep, no final do ano passado, o projeto do microssatélite gaúcho recebeu apenas uma fração do investimento desejado.

Para o desenvolvimento do MMM-1, satélite de pequeno porte voltado a aplicações de defesa e monitoramento, o valor inicialmente solicitado foi de R$ 43 milhões, em um projeto apresentado pela AEL Sistemas, empresa-âncora do polo.

No entanto, a Finep liberou apenas R$ 5 milhões a fundo perdido para a iniciativa, que segue em desenvolvimento dentro da AEL.

O revide do Polo Gaúcho veio em abril, quando anunciou o lançamento do NanosatcC-BR1, o primeiro nanossatélite produzido no Estado, voltado a projetos de monitoramento aéreo.

Desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) em parceria com o (Inpe), o equipamento teve recentemente a sua fase de testes concluída e está a caminho da Holanda para uma nova etapa, antes do lançamento na Rússia, previsto para 19 de junho.