Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil. Foto: Divulgação.

Um dos principais anúncios globais da SAP durante o Sapphire Now 2015, em Orlando, foi o lançamento de sua suíte de gestão S/4 Hana em uma versão cloud, pouco mais de três meses depois do S/4 on-premise chegar ao mercado.

Para a filial brasileira da companhia alemã, a oferta do S/4 Cloud, no formato software como serviço, embora não tenha ainda uma data prevista de chegada ao Brasil, será um dos princpais drivers para o crescimento da companhia em novos clientes.

Na versão on-premise do novo sistema de gestão, a SAP já anunciou três empresas no país - a gaúcha Ceitec (semcondutores), a Dasa S/A (saúde) e IRB (seguros). 

No total, segundo Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, a empresa já conta com dezesseis contratos fechados para implantar o S/4, correspondendo a aproximadamente 20% da adoção do novo produto na América Latina.

"Quando a versão cloud do S/4 chegar ao país, esperamos que a adoção do S/4 ganhe uma aceleração significativa", avalia a executiva. Atualmente, a SAP Brasil só tem em oferta SaaS o seu software de gestão de recursos humanos, o SuccessFactors, investindo R$ 19 milhões em um data center próprio no país.

Para a presidente da SAP Brasil, a expectativa para a versão cloud do S/4 nao contempla verticais ou portes específicos para clientes. Segundo a executiva, o plano é trazer novas marcas para a plataforma da SAP.

"Todos os nossos novos contratos de ERP serão essencialmente S/4 Hana. Quanto à base que já temos em clientes de ERP, fica a critério deles saber qual o melhor momento de fazer a migração. Contudo, estamos já trabalhando e divulgando as vantagens que esta mudança pode trazer", destacou Palmaka.

Mesmo com a visão abrangente para a nova solução, a executiva admite que empresas médias podem ter um acesso facilitado ao S/4 Cloud, caso se interessem em elevar o nível de sua estrutura de gestão.

"Como é SaaS, o TCO (Total Cost of Ownership) sai da conta final, o que pode ser um ganho para estas empresas. Para as de porte maior pode ser ainda mais atraente, visto o cenário de redução de custos em que as companhias estão atualmente", afirma.

Nos últimos anos, a SAP buscou aumentar a sua presença no mercado de PMEs, com produtos como a suíte Business One. Com isso, a multinacional entrou no jogo em um campinho até então dominado pela Totvs. Segundo dados apresentados pela FGV, em 2014 a empresa alemã diminuiu a sua diferença de market share, subindo a sua participação de 9% para 10% em empresas de até 170 teclados. A Totvs, por sua vez, teve uma queda de 52% para 51%.

De acordo com Palmaka, mesmo com os atalhos oferecidos com os produtos em nuvem, os canais e parceiros continuarão representando uma parte integral da estratégia da SAP, mas com finos ajustes.

Conforme explica a presidente, isto é reflexo dos investimentos realizados pela multinacional em portfólio - com produtos como Ariba (procurement), Concur (despesas) e o próprio SuccessFactors - e terá um impacto nos canais. 

"Essa variedade de produtos possibilitará uma especialização dos parceiros, tornando-os mais do que simplesmente integradores. Poderemos ter desde canais maiores com diversas expertises, do S/4 ao Hybris e outros, até alguns focados especificamente em verticais como saúde, por exemplo", finaliza Palmaka.

*Leandro Souza viajou a Orlando para o SAP Sapphire 2015 a convite da SAP.