Desbancarização faz referência à possibilidade de outras instituições oferecerem investimentos. Foto: Pixabay.

No Brasil, ainda existe uma tradição que associa o canal bancário a tudo o que diz respeito a dinheiro. Poupança, investimentos em CDB, fundos, previdência: os bancos costumam ser lembrados no momento em que o consumidor decide aplicar o seu dinheiro. Porém, recorrer a outras instituições para investir pode ser muito mais vantajoso. É o que se chama de desbancarização.   

Desbancarizar é um neologismo. O termo tem a ver com a procura por canais de investimentos que não sejam os bancos. Assim, desbancarização faz referência à possibilidade de outras instituições oferecerem investimentos, tirando dos bancos o protagonismo desse processo. 

O conceito tem origem no mercado financeiro internacional, sobretudo nos Estados Unidos, onde o surgimento de instituições de menor porte deram fluidez ao mercado, diminuindo o controle do sistema bancário em relação à oferta de produtos e serviços mais interessantes para os clientes. No Brasil, trata-se de um processo mais recente, que se insere em um novo cenário no universo dos investimentos.

 

A concentração bancária no país

O processo de desbancarização que tomou conta dos Estados Unidos e da Europa fez com que novas possibilidades surgissem no mercado. Consequentemente, profissionais especializados e plataformas de investimentos passaram a ganhar maior espaço. É nessa lógica que surgiram profissionais como os agentes autônomos de investimentos.

O agente autônomo é alguém que conhece o mercado financeiro e que opera pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como um elo entre investidores e analistas das corretoras. Trata-se de um profissional apto a apresentar o mercado financeiro a novos clientes, esclarecer o que é necessário a eles, detalhar os diferentes produtos disponíveis, realizar cadastros, receber ordens de compra e venda de ativos e viabilizar as negociações.

O Brasil conta com cinco grandes instituições que controlam o sistema, tornando-o limitado em relação aos interesses dos investidores. Isso, somado ao fato de que os bancos estão entre as empresas líderes em reclamações no Procon, explica a busca pelo consumidor por maior diversidade de produtos financeiros, menores taxas no mercado e melhor atendimento.

Nesse sentido, instituições financeiras independentes aparecem como agente dessa descentralização, pois é justamente na oferta de condições mais atrativas do que as dos bancos é que essas empresas têm conquistado mercado. Hoje, corretoras de valores e fintechs vem ganhando espaço, buscando diferenciais para conquistar clientes e dividindo com os bancos o espaço na preferência dos consumidores.

 

O problema de investir nos bancos

Existem dois problemas principais para o investidor que se concentra nas soluções bancárias. O primeiro deles diz respeito às alternativas oferecidas, pois os bancos tendem a apresentar produtos mais rentáveis para os seus interesses institucionais. Na maioria dos casos, as ofertas se concentram em soluções criadas pelos próprios bancos ou por instituições parceiras.

Além disso, os gerentes costumam trabalhar por metas, ou seja, cada vez que eles conseguem vender produtos para os bancos, avançam na busca por seus objetivos. Nessa relação, os interesses do cliente são colocados em segundo plano.

Em resumo, o principal problema de investir em bancos é que os objetivos de quem realmente importa, ou seja, o cliente, são tão importantes quanto os da instituição bancária. É justamente nessa brecha deixada pelos bancos que as instituições independentes conseguem criar diferenciais de mercado.

 

As vantagens que as corretoras oferecem

As corretoras trabalham com assessores de investimentos, que são profissionais diferentes dos gerentes de bancos. Na prática, enquanto o gerente atua de maneira generalista, cuidando não somente dos investimentos, mas também de uma série de processos bancários, o assessor é um especialista naquilo que faz. Assim, ao trabalhar com corretoras, o investidor passa a ter acesso a conhecimentos mais aprofundados em relação ao que pode aumentar o seu patrimônio.

Além disso, existem os custos inseridos nas aplicações. A fim de atrair novos clientes, as corretoras podem abrir mão de cobranças relativas a aberturas de contas e de taxas referentes a determinados investimentos, criando meios para que a rentabilidade do cliente seja maior no final do processo.

Outro ponto positivo para as corretoras é a diversidade de opções. Enquanto os bancos geralmente se concentram nas próprias soluções, as corretoras diversificam, apresentando produtos de diferentes instituições financeiras. Esse maior leque de possibilidades permite escolhas mais qualificadas, gerando resultados melhores.