Marco Bravo.

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O Google Cloud, operação de computação em nuvem no Brasil, aumentou seu time em 10 vezes no último ano e meio, chegando no momento a cerca de 200 pessoas e estruturando assim uma operação comercial sofisticada no país.

A ampliação do time no Brasil segue a linha da matriz, que está estruturando abordagem aderente ao mercado corporativo, com nomes experientes no segmento B2B, times focados em verticais e parceiros de peso.

“Conseguimos estabelecer uma relação de confiança com os clientes, o que é a chave”, resume Marco Bravo, contratado em fevereiro de 2020 para liderar o Google Cloud no Brasil.

Na visão de Bravo, o Google conseguiu “entrar na lista” das disputas por contratos de nuvem pública no país, que antes era “dupla” (ou seja, dominada pela AWS, com a Azure em segundo) e agora é “tríplice” (com o Google disputando).

Bravo era vice-presidente para América Latina da multinacional de pagamentos ACI e fez carreira em grandes empresas como Microsoft e IBM, um perfil típico das contratações do Google Cloud, que tem recrutado ex-executivos das grandes do setor, incluindo também SAP e Oracle.

Novamente, a abordagem é a mesma da matriz, na qual o Google colocou Thomas Kurian, um alto executivo da Oracle, que implementou um plano agressivo de contratações e formação de time comercial com expertise de mercado corporativo, ao estilo do seu antigo empregador.

O Google Cloud montou times focados em verticais promissoras como varejo, saúde, finanças, telecomunicações e mídia. Alguns grandes contratos já foram divulgados, incluindo os bancos BV e BS2, e, talvez o mais chamativo até agora, na Rede Globo.

Bravo vê bastante potencial no setor financeiro, com o progresso do open banking, porque o Google tem muita experiência no assunto integração de APIs, que é a chave do novo modelo do setor, por meio de produtos próprios como o Google Maps ou Google Pay.

Outro nicho no qual o Google tem planos no país é o de projetos de implementação do SAP. Recentemente, a multinacional alemã anunciou o fim da sua colaboração preferencial com a Azure, abrindo ainda mais as portas para outros parceiros.

“Já estamos com algumas referências em empresas de manufatura de médio porte e acredito que isso deve decolar já no segundo semestre”, adianta Bravo.

Em janeiro, o Google Cloud contratou Alberto Oppenheimer, um executivo de carreira da SAP, para o cargo de head de Soluções .

Oppenheimer esteve 17 anos na SAP, passando por 11 cargos de diretoria ao longo do tempo, em nível brasileiro e latino americano, a maior parte deles na área de vendas  (em nível global, o Google Cloud contratou Robert Enslin, um veterano com 30 anos de SAP e há dois anos responsável pela divisão de nuvem).

A terceira frente na qual Bravo está trabalhando é nos canais da empresa que vendem a solução de colaboração Workspace, um produto com muito mais penetração de mercado do que a oferta cloud do Google, sendo quase um standard em segmentos emergentes como as fintechs que estão surgindo no país.

“Um ano e meio atrás, nuvem e colaboração eram dois mundos separados no país. Avançamos muito na integração e eu acredito que uma solução pode abrir portas para a outra”, resume Bravo.

A estratégia de fundo do Google é não bater de frente com a AWS, que é a líder indiscutível em penetração, ou com o Azure, que tem o poderio corporativo da Microsoft por trás, mas ganhar mercado pelas bordas.

“A nuvem certa é a nuvem que o cliente quer”, afirma Bravo, destacando a importância para o Google de padrões abertos, interoperabilidade e a capacidade do cliente para migrar soluções. “Somos muito procurados por empresas que querem se livrar do lock in dos seus fornecedores”, resume o executivo.