Militares americanos decidiram que é melhor agradar todo mundo. Foto: Pexels.

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O Pentágono decidiu cancelar, um contrato de US$ 10 bilhões para compra de computação em nuvem vencido pela Microsoft em 2019 e arduamente combatido pela AWS e Oracle desde então.

“Com um ambiente de tecnologia em movimento, ficou claro que o contrato, já muito atrasado, não responde mais aos requerimentos necessários para preencher lacunas de capacidade do Departamento de Defesa”, disse o Pentágono em nota.

O Joint Enterprise Defense Infrastructure, ou JEDI, tinha uma abordagem “winner takes it all”, ou seja, o vencedor levava todo o contrato.

Por muito tempo, a AWS parecia a franca favorita para ganhar, mas na última hora, a vencedora foi a Microsoft, um movimento no qual o então presidente Donald Trump teve um dedo (Trump é inimigo declarado de Jeff Bezos, dono do The Washington Post, um jornal crítico ao seu governo).

Agora, a compra terá um novo nome: Joint Warfighter Cloud Capability, ou JWCC, sem referências a Star Wars, e, principalmente, sem a previsão de que ganhe uma só empresa.

Não que o número de potenciais vencedores tenha aumentado muito: só poderão participar AWS e Microsoft. De acordo com a nota do Pentágono, as duas gigantes são as “as únicas provedoras de nuvem capazes de atender a demanda”, de acordo com a “pesquisa de mercado disponível”.

O presidente da Microsoft para indústrias reguladas, Toni Townes-Whitley, disse ao The Register que o cancelamento foi a saída que o Pentágono encontrou para escapar da batalha legal da AWS, que poderia durar ainda mais um ano, com potenciais recursos.

“Quando uma companhia pode atrasar por anos um upgrade crítico de tecnologia, o processo precisa de reformas”, disse Townes-Whitley, acrescentando que a Microsoft focou “no cliente e não em política ou litigação judicial”.

Já a AWS disse ao site britânico por meio de um porta-voz que concorda com a decisão do Pentágono, uma vez que o contrato foi vencido pela Microsoft “não na base dos méritos da proposta, mas por meio de influências externas que não têm lugar em compras públicas”.

É provável que, se o vencedor tivesse sido a AWS, as posições também seriam diametralmente opostas. 

Pelo que parece, o Pentágono viu que as facilidades trazidas por ter um só fornecedor não compensam o problema de lidar com o perdedor em um contrato desse tamanho.

Também é verdade que Donald Trump interferiu abertamente no processo, o que deu para a AWS o argumento para levar a disputa às últimas consequências.

Agora é ver se o resto do setor de tecnologia vai aceitar a decisão de limitar a disputa entre AWS e Microsoft, o que seria uma consolidação da liderança das companhias no assunto nuvem pública.

O JEDI foi anunciado em 2017. Já no ano seguinte, Oracle, SAP, General Dynamics, Red Hat, VMware, Microsoft, IBM, Dell Technologies e Hewlett Packard fizeram uma frente única para defender o fatiamento do projeto, obviamente em muito mais do que dois pedaços.

Os líderes do movimento eram Oracle, IBM, e, significativamente, a Microsoft, que na época não devia estar contando com ganhar tudo.

Já no ano seguinte, o Pentágono divulgou que só AWS e Microsoft estavam no páreo final.

Na época, a Oracle começou a sua própria batalha judicial, alegando que a licitação teria sido feita sob medida para limitar o número de participantes, com participação direta de pessoas relacionadas com a AWS.