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GESTÃO

Runrun.it: tempo é dinheiro

Maurício Renner
// terça, 07/08/2018 10:37

O Runrun.it, plataforma brasileira de gestão do trabalho, acaba de lançar uma ferramenta de inteligência que promete entregar aos gestores as informações necessárias para agir de acordo com a velha premissa de que tempo é dinheiro.

Antônio Carlos Soares.

A frase é batida, mas do ponto de vista de gestão de ativos é justamente o uso do tempo por parte dos funcionários um dos aspectos mais negligenciados, aponta Antônio Carlos Soares, co-fundador e CEO da empresa.

“Numa empresa de serviços de valor agregado, as horas dos funcionários podem responder por 70% do custo total. É um custo sobre o qual as empresas tem uma visibilidade muito baixa”, resume Soares.

A Runrun.it investiu R$ 1 milhão no desenvolvimento do projeto, pelo meio do qual o software da empresa passa a ser capaz de cruzar dados sobre o tempo investido pelas equipes nas tarefas, projetos e clientes com dados de faturamento e custos, por exemplo.

"É possível cruzar dados e ampliar radicalmente a lucratividade e eficiência da empresa", diz Soares, afirmando que a visão “verticalmente integrada centralizada ao redor do tempo” é “única no mundo”.

O Runrun.it já utiliza inteligência artificial e algoritmos preditivos para calcular de maneira autônoma as datas de entrega de tarefas e projetos de usuários espalhados por 1 mil clientes diferentes.

A ideia agora é cruzar esses dados com outras informações sobre custos de horas e faturamento final aos clientes, oriundos de sistemas de gestão empresarial ou de recursos humanos (a API da companhia integra 182 outros sistemas).

Um exemplo do tipo de resultado que esse cruzamento pode trazer foi visto em um cliente especializado em serviços de formatação de artigos acadêmicos, que cobrava um valor fixo  por página formatada. 

Uma análise mais detalhada do tempo gasto nas tarefas mostrou que em alguns casos o valor poderia representar um prejuízo em vista do tempo gasto e que em outros ele poderia ser muito inferior, e, portanto, mais competitivo frente a concorrentes.

Além da precificação dos serviços, a ideia da Runrun.it é permitir aos gestores o entendimento do uso do tempo das equipes, outro assunto muitas vezes nebuloso. 

“As evidências apontam para um grande desperdício”, avalia Soares, citando um estudo da McKinsey segundo o qual equipes passam 40% engajadas em assuntos não relacionados a atividade fim, como a participação em reuniões ou a busca de informações.

O tipo de automação do controle da força de trabalho que ferramentas como a Runrun.it permitem está em alta.

Em seu relatório de tendências de tecnologia no ambiente de trabalho, a Gartner estimou que já existem três milhões de pessoas sendo supervisionadas pelos chamados “robobosses”, ou seja, cumprindo tarefas designadas por sistemas.

Junto com o sócios Patrick Lisbona e Franklin Valadares, Soares criou a RunRun.it em 2013, vindo da Aorta, uma agência de mobilidade adquirida pelo grupo de comunicação gaúcho RBS. 

Desde então, a empresa já foi investida pelos fundos Monashees Capital e 500 Startups. São 45 funcionários hoje.

Recentemente, a RunRun.it finalizou o programa Oracle Startup Cloud Accelerator Program (OSCA) e está em meio ao programa EY Accelerating Entrepreneurs Program 2018. 

Maurício Renner