Mochilas dos entregadores estão na mira da justiça argentina. Foto: Divulgação.

Entregadores de aplicativos de delivery conhecidos como Glovo, Rappi e PedidosYa estão proibidos de circular nas ruas de Buenos Aires por decisão judicial.

O juiz portenho Roberto Gallardo tomou a decisão nesta sexta-feira, 02, justificando a mesma por descumprimento das regras de segurança.

A decisão foi uma resposta a uma petição da Asociación Sindical de Motociclistas Mensajeros y Servicios (ASIMM).

Além de colocar a polícia para fiscalizar os estimados 20 mil entregadores cadastrados em plataformas na cidade, Gallardo também determinou que cartões de crédito como Visa, Mastercard e American Express bloqueiem pagamentos para as plataformas. 

De acordo com o site iProUP, a medida afeta 12 mil estabelecimentos na capital argentina, muitos dos quais tem nas plataformas a sua principal forma de distribuição. 

O problema, de acordo com o juiz, é que os entregadores das plataformas usam mochilas para carregar os pedidos, em vez de carregá-los dentro de uma caixa especial, além de não usarem itens de segurança como um jaleco com luzes refratárias e capacetes e não ter uma “libreta sanitária”, o que parece algum tipo de requisito de saúde pública.

Na falta de algum desses requisitos, a orientação é aprender a mercadoria ou o caixa com a qual ela é entregue.

Segundo revela o site InfoBAE, algumas empresas já reagiram à medida e colocaram equipes nas esquinas da cidade distribuindo equipamento de segurança gratuito e divulgando acordos com seguradoras. 

O principal problema, no entanto, permanece: a mochila, que faz parte do equipamento típico dos repartidores desse tipo de aplicativos, provavelmente porque não exige o investimento para uma faixa fixa.

A decisão do juiz fala em suspensão até a regularização de todos os funcionários, o que é um problema de longo prazo para as empresas.

De acordo com iPropUp, a decisão pode ter um contorno eleitoral, com as eleições marcadas para poucos dias.

A disputa está polarizada entre  presidente Mauricio Macri, que tenta ser reeleito com uma agenda política liberal, e o peronista Alberto Fernández, com uma leve diferença a favor do opositor.

O sindicato que moveu a ação é de orientação peronista (seu site está decorado com fotos de Perón e Evita), assim como, de acordo com iPropUp, o juiz que tomou a decisão.