Será que dá para identificar todo mundo?

Avançou na Câmara de Vereadores de Porto Alegre o projeto de lei do vereador Alberto Kopittke (PT), que visa obrigar estádios com capacidade para mais de 10 mil pessoas a adotar sistemas de identificação biométrica.

A identificação poderá ser feita por biometria facial ou impressões digitais. A proposta também prevê sistema de monitoramento por imagem em toda a área de uso comum desses estádios.

O assunto entrou na em Discussão Preliminar de Pauta, na sessão ordinária desta quarta-feira, 02. O projeto prevê multa aos proprietários de estádios de entre R$ 290 mil em caso de não adotação e R$ 580 mil em caso de reincidência.

O próximo passo é tramitar por três comissões diferentes para depois ser levada ao plenário da Câmara, processo que, segundo a avaliação do gabinete de Kopittke deve tomar no mínimo mais 45 dias.

A ideia é, a partir do cadastramento, estabelecer um banco de dados sobre aquelas pessoas que possuam histórico de violência dentro dos estádios e possibilitar o cruzamento de informações com outros bancos de dados, como de foragidos e de pessoas com mandados de prisão.

Na prática, porém, existem dúvidas sobre um sistema desse tipo é viável para Grêmio, Internacional e São José, times com estádios com a capacidade proposta por  Kopittke.

A biometria digital, cuja tecnologia já está mais disseminada no mercado, pode ser inviável para o contexto de um jogo de futebol com grande público, pelo menos tendo em vista as soluções disponíveis no mercado.

Foi o que disseram ao Baguete fontes do mercado de soluções de controle de acesso.

Elas destacaram que a maioria dos equipamentos de identificação biométrica tem uma limitação de 5 mil impressões por sensor.

Isso faria com que os torcedores tivessem que acessar o estádio através de catracas pré-definidas, o que pode ser um problema em jogos com lotação máxima, que na Arena chega a 60 mil pessoas e no Beira Rio 56 mil.

Uma alternativa seria armazenar as impressões em um servidor, mas nesse caso cada consulta poderia tardar até dois minutos, o que se traduziria em filas nos estádios.

Os clubes, no entanto, tem um estímulo para fazer os investimentos necessários e enfrentar eventuais transtornos para os torcedores.

A identificação biométrica, se obrigatória por lei, daria aos clubes o benefício de deter a prática de empréstimo de carteirinhas que é comum entre associados da dupla Grenal sem que seja necessário que os próprios clubes sejam os responsáveis por implementar uma estratégia impopular.