Jorge Santos Carneiro.

A Sage, gigante britânica de sistemas de gestão, acaba de lançar no Brasil o X3, seu ERP na nuvem para pequenas e médias empresas.

A companhia está organizando seu canal de distribuição no país, com a meta de ter 12 parceiros até o final do ano. 

O primeiro canal é a Gestran, uma empresa de Curitiba especializada em tecnologia para a área de transporte, o que pode indicar que a Sage está atrás de software houses de nicho.

Também foi formada uma equipe focada exclusivamente no produto dentro da Sage, que conta com o apoio de parceiros portugueses que já trabalham com a ferramenta a mais tempo.

“Investimos forte na localização do produto”, destaca Jorge Santos Carneiro, presidente da Sage no Brasil.

Carneiro é um executivo de carreira da Sage, tendo sido CEO em Portugal por 15 anos antes de assumir o comando das operações no Brasil em setembro de 2014.

Até agora, já foram feitas menos de 10 implementações no país. O potencial de crescimento, no entanto, é enorme. 

A Sage quer brigar com softwares da Totvs e do Business One, produto para pequenas e médias da SAP, concorrentes na fatia mais fragmentada do mercado de ERPs no Brasil.

De acordo com uma pesquisa da feita pela Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), a Totvs domina o segmento, com 51% de share nas empresas com até 170 usuários. 

Correm por fora SAP e Oracle, com 9% cada uma, seguidos da Infor, com 4% e um número expressivo de “outros”, basicamente empresas brasileiras de ERP que não foram adquiridas pela Totvs, com 27% do bolo total.

Em nível mundial, a Sage é tida como o terceiro maior player de ERP, atrás de SAP e Oracle, com um faturamento de £1,3 bilhão no ano fiscal encerrado em setembro de 2014, uma alta de 4,9% frente ao ano anterior.

A Sage já demonstrou comprometimento e capacidade de investimento no mercado Brasileiro em 2012, ao gastar nada menos do que R$ 398 milhões para comprar a Folhamatic e ganhar uma presença importante no mercado brasileiro.

Apesar da Sage não ter feito muito estardalhaço sobre o assunto no momento, foi o segundo maior negócio do mercado de ERP brasileiro, só atrás da compra da Datasul pela Totvs, em 2008, uma operação de R$ 700 milhões.

Depois, a Sage gastou algo próximo a R$ 50 milhões para adquirir as paranaenses Empresa Brasileira de Sistemas (EBS), sediada em Curitiba, e da Cenize Informática, de São José dos Pinhais.

Folhamatic, EBS e Cenize atuam num mercado um pouco diferente do que o X3 se propõe, no entanto. As três eram players de sistemas de gestão para escritórios de contabilidade, um tipo de cliente que é usado pela Sage e outros concorrentes como uma porta de entrada em empresas pequenas atendidas por esses contadores.

A menos que decida meter a mão no bolso novamente para comprar algum dos players relevantes de ERP nacionais ainda independentes, a Sage vai ter que encarar o desafio de promover crescimento orgânico desde zero agora.