Gartner faz previsões para 2020 em TI. Foto: flickr.com/photos/bosslynn.

O Gartner divulgou suas previsões para a área de TI a partir de 2014. São cinco temas abordados: revolução industrial digital, negócios digitais, máquinas inteligentes e internet das coisas, que, segundo a instituição, irão impactar outros setores. 

A pesquisa realizada com CEOs e indicou que os executivos acreditam que as incertezas dos negócios estão reduzindo. Por outro lado, os CIOs estão preocupados com a mudança tecnológica.

“O CIO experiente fará com que seu CEO reconheça as mudanças causadas pelos deslocamentos revolucionários que chegam a ritmo acelerado e com um impacto global”, diz Ken McGee, vice-presidente do Gartner. 

Confira as dez previsões a partir de cinco temáticas:

Revolução Industrial Digital 

A TI não se resume mais à função de TI, ao contrário, passou a ser o catalisador da próxima fase de inovação nos ecossistemas pessoais e de negócios competitivos. Isso evidencia o início da revolução industrial digital, que ameaça remodelar a maneira como os produtos físicos são criados por meio da impressão 3D.

Esse tipo de impressão causará a perda de pelo menos US$ 100 bilhões por ano de propriedade intelectual, em âmbito mundial, em 2018.

Em 2015, pelo menos uma grande empresa ocidental vai afirmar que a propriedade intelectual (PI) de um de seus produtos importantes foi roubada por profissionais usando impressoras 3D.

A queda dos custos das impressoras, dos scanners 3D e da tecnologia de modelagem 3D, aliada à melhoria dos recursos, torna a tecnologia mais acessível para para o roubo da PI. 

No ano seguinte, a impressão 3D de tecidos e órgãos (bioimpressão) provocará o debate mundial sobre a regulamentação da tecnologia ou sobre sua proibição para uso humano e não humano.

A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) dos Estados Unidos ou um órgão semelhante de outra nação, que tenha a função de avaliar as propostas médicas, apresentará diretrizes para proibir a bioimpressão para salvar vidas, sem aprovação prévia, até o final de 2015.

O dia em que órgãos humanos bioimpressos em 3D estarão facilmente disponíveis está se aproximando. Por outro lado, existe a realidade de que a bioimpressão em 3D pode ajudar pessoas que precisam de órgãos que, de outra forma, não estão facilmente à disposição.

Negócios Digitais

Negócios digitais são criados por meio de recursos e/ou capacidades digitais, envolvendo produtos digitais, serviços e/ou experiências de clientes, e/ou realizados pelos canais e comunidades digitais. O Gartner observou os efeitos sobre a redução de mão de obra, as receitas dos bens de consumo e o uso de dados pessoais. 

Mais da metade dos fabricantes de bens de consumo receberão 75% dos seus recursos de P&D e inovação para consumidores de soluções provenientes de crowdsourcing, em 2017.

Antes, em 2015, as empresas de bens de consumo que utilizam soluções de crowdsourcing em campanhas de marketing ou no desenvolvimento de novos produtos terão um aumento de 1% da receita em relação aos concorrentes que não usam a tecnologia.

A instituição observa uma mudança no sentido de aplicações de crowdsourcing que utilizam tecnologia, tais como: publicidade, comunidades on-line, resolução de problemas científicos, ideias internas para novos produtos e produtos criados pelo consumidor.

Em 2020, o efeito da redução de postos de trabalho causada pela digitalização provocará agitação social e a busca por novos modelos econômicos em diversas economias maduras.

Uma versão em maior escala de um movimento do tipo “Occupy Wall Street” começará até o final de 2014, o que indica que a agitação social começará a promover o debate político.

A digitalização significa a redução de postos de trabalho para serviços e produtos de uma forma nunca vista, mudando fundamentalmente, dessa forma, a maneira como a remuneração é distribuída entre a mão de obra e o capital. 

A longo prazo, isso fará com que seja impossível, para grupos cada vez maiores, participar do sistema econômico tradicional, levando-os a procurar alternativas, como uma (sub)sociedade baseada em permuta, incitando um retorno ao protecionismo.

As economias maduras sofrerão mais, pois não contam com o crescimento populacional para aumentar a demanda autônoma, nem sindicatos ou partidos políticos suficientemente poderosos para (re)distribuir os ganhos no que continuará sendo uma economia global.

Em 2017, 80% dos consumidores coletarão, acompanharão e trocarão os seus dados pessoais por redução de custos, praticidade e personalização.

O número de leilões de dados pessoais com base em sites de crowdfunding aumentará em porcentagens de três dígitos até o final de 2014.

Como o crescimento da demanda e da escassez aumentarão o valor desses dados, crescerão também os incentivos para que os consumidores os compartilhem voluntariamente. 

As empresas e os governos não conseguirão proteger 75% dos dados sigilosos, quebrando o sigilo e concedendo acesso amplo/público a eles, no ano de 2020.

O Gartner acredita que em 2015 ocorrerá mais um episódio “Snowden” ou “WikiLeaks”, o que indica uma tendência crescente de que as empresas e os governos reconheçam sua incapacidade de proteger todas as informações sigilosas.

A quantidade de dados armazenados e utilizados pelas empresas e pelos governos está crescendo exponencialmente. Ao invés de protegê-los, as empresas e os governos passarão a cuidar muito bem de uma pequena parte deles.

Máquinas Inteligentes 

O surgimento das máquinas inteligentes aumentará as oportunidades e o medo dos sistemas conscientes e cognitivos. Isso pode aprimorar os processos e a tomada de decisões, mas, também, pode eliminar a necessidade dos seres humanos no processo e no trabalho decisório. 

Os CIOs verão isso como um meio de gerar mais eficiência, mas precisarão atingir um equilíbrio entre a mão de obra humana ativa e a fria eficiência de máquinas capazes de aprender.

Em 2024, pelo menos 10% das atividades potencialmente prejudiciais à vida humana exigirão o uso obrigatório de um sistema inteligente.

Até 2014, haverá o aumento de automóveis com preços econômicos e tecnologia de auxílio automatizado agregada ao equipamento de série, como um indicador de adoção.

A maioria dos planos de carreira de profissionais do conhecimento será perturbada de maneiras positiva e negativa pelas máquinas inteligentes, em 2020.

O uso de assistentes pessoais virtuais nas empresas aumentará rapidamente em 2017 e 2018. O Gartner prevê que as máquinas inteligentes derrubarão a maioria dos planos de carreira dos profissionais do conhecimento em 2020. 

Em 2017, 10% dos computadores aprenderão em vez de processar.

Para 2014, a previsão é de que o número de aplicativos de reconhecimento de fala usados em algoritmos de redes neurais profundas dobre. A consequência mais importante de um computador que aprende é que ele gasta muito menos energia para reconhecer padrões mais complexos.

Internet das Coisas

Com o advento dos dispositivos extremamente conectados, as empresas, os governos e as pessoas passaram a ter acesso a mais informações sobre si mesmas e seu ambiente, do que sobre as quais podem efetivamente agir. 

Em 2020, os dados de consumidores coletados a partir de dispositivos vestíveis gerarão 5% das vendas das 1 mil maiores empresas do mundo.

O número de aplicativos de smartphones que pedem para compartilhar dados dos consumidores dobrará em 2015, indicando um aumento no número de comerciantes ou proprietários que buscam acesso aos dados de perfil dos clientes.

Em cinco anos, esses dispositivos para o consumidor ficarão mais sofisticados, captando o que o usuário vê, ouve ou até mesmo sente, por meio de respostas biorrítmicas.