Daniel Mirabile, presidente da NEC no Brasil. Foto: Divulgação.

O grupo japonês NEC Corporation projeta dobrar em 2015 a receita de US$ 500 milhões obtida em 2013 no segmento de telecomunicações na América Latina, para US$ 1 bilhão.

O valor registrado no ano passado é referente ao Brasil, à Argentina, ao Chile, à Colômbia e ao México.

A informação é de Shunichiro Tejima, vice-presidente da NEC no Japão e responsável pelos negócios mundiais do setor no grupo, que foi entrevistado pelo Valor.

Atualmente, o segmento de operadoras representa uma fatia de US$ 750 milhões para grupo na região. 

O número equivale a 10% dos US$ 7,5 bilhões registrados por telecomunicações na empresa anualmente. 

O Brasil responde por 30% do total gerado na divisão regional que atende operadoras, ou US$ 225 milhões, e metade dos negócios latino-americanos quando somadas outras áreas de negócios da empresa.

A NEC fornece sistemas de rede de transporte e transmissão de dados para operadoras de telefonia e para o setor de infraestrutura, sistemas de suporte à operação e ao negócio das teles e sistemas de biometria para identificação e uso em segurança, entre outros.

Os gestores da NEC acompanharam com atenção o processo eleitoral no Brasil. Por meio da subsidiária local, fizeram projeções sobre os possíveis impactos que as mudanças nos rumos da política econômica causariam aos negócios. 

"Estamos trabalhando em cenário conservador em relação ao PIB, embora no caso da NEC o volume de negócios esteja desconectado do crescimento do PIB", disse Daniel Mirabile, presidente da NEC no Brasil, em entrevista ao Valor.

Segundo ele, existe uma demanda clara por serviços internacionais, mobilidade e acesso às redes sociais, por exemplo, o que obriga as teles a investirem em infraestrutura, que ainda é frágil no país. Por isso, a expectativa é de que a política não vai interferir nos negócios no curto prazo.

Os negócios internacionais geraram 16% da receita da NEC em 2013. A meta é elevar essa participação para 23% até 2017. 

No Brasil, a projeção é de 30%, disse Tejima. No balanço de 2013, os negócios na região registraram prejuízo de R$ 56 milhões.

Uma das iniciativas é um contrato com a Angola Cables, divulgado na terça-feira, 4. A NEC vai fornecer uma rede de cabos submarinos que ligará o Brasil a Angola, na costa ocidental da África. O projeto tem investimento estimado em cerca de US$ 160 milhões.

A implantação da rede da Angola Cables deverá começar ainda neste ano, segundo a NEC, com a conclusão prevista para o último trimestre de 2016.