Daniela Mendonça.

Não deu certo o plano da LG lugar de gente (antes conhecida com LG Sistemas) de chamar um executivo de fora da companhia para tocar o negócio.

A companhia divulgou a promoção de Daniela Mendonça para o cargo de presidente nesta segunda-feira, 07, apenas sete meses após contratar para o cargo Paulo Iudicibus, ex-diretor de Soluções e Parceiros de Software da Microsoft.

Iudicibus é um profissional de mercado, com passagens por Deloitte, Oracle e SAP, e foi contratado para substituir Gustavo Teixeira, fundador e acionista da empresa, que permanece como presidente do Conselho Diretivo. 

Além do novo presidente, a LG também trouxe na época um novo diretor comercial: José Louis Essabbá, vindo da i-Hunter Tecnologia da Informação, empresa especializada em soluções cloud para gestão de recrutamento e seleção. Essabbá também saiu da empresa.

Em nota, a LG não chega a sequer mencionar o nome de Iudicibus nem os motivos da troca. Ao que tudo indica, o novo comandante não se adaptou e a companhia preferiu chamar alguém da casa. 

Daniela é acionista da empresa, onde está há 25 anos e é formada em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), onde está sediada a LG.

“Durante toda minha carreira, sempre busquei posicionar a imagem da LG como uma empresa preocupada em atender todas as necessidades dos clientes. Meu desafio é manter a satisfação dos clientes da LG, garantindo assim o crescimento da companhia”, afirma a executiva.

Segundo Daniela, seu objetivo é cumprir a meta de crescimento em 2017, estipulada em 20% em relação ao ano de 2016. 

Em 2015, o faturamento foi de R$ 78 milhões, estável em relação a 2014.  A nova meta fica abaixo do que a empresa projetou em agosto para este ano: crescimento de 28%, para atingir R$ 100 milhões, com objetivo a longo prazo de dobrar em três anos.

A estratégia de crescimento passava pelo lançamento de uma versão em nuvem do produto da companhia, feita em agosto. 

A solução recebeu investimento de R$ 10 milhões ao longo de seis anos e é hospedada na Azure, nuvem da Microsoft.

Hoje a empresa atende a 400 clientes de forma direta e mais de 500 por meio de parceiros para BPO. Com a suíte Gen.te, a meta é alcançar mais de 1 mil empresas atendidas diretamente.

Há mais de 30 anos no mercado, a LG tem sede em Goiás e atuação em todo o território nacional. Entre os clientes da empresa estão nomes como Ambev, Vale, Oi, Carrefour, Caterpillar, Grupo Algar, Grupo Positivo, Grupo Santander, Natura, SBT, Hering e Rede Globo.

TRANSIÇÕES SÃO DIFÍCEIS

Transições como a que a LG tentou emplacar são difíceis e as diferenças culturais entre companhias brasileiras e multinacionais de TI são um complicador adicional.

A Totvs protagonizou o caso mais chamativo desse tipo no ano passado, ao trazer Rodrigo Kede, ex-IBM, para dividir o comando da empresa com o fundador, Laércio Cosentino.

O arranjo deveria durar até três anos, quando Kede assumiria o comando em definitivo, mas foi encerrado seis meses depois.

Em entrevista com o Baguete em julho, Cosentino disse que o processo de transição de comando da Totvs está “fora da agenda” pelos próximos dois ou três anos.