Será que a hora de mandar Mantega embora? Foto: Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff deveria demitir o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e mudar a equipe econômica se quiser reverter o baixo crescimento do PIB de 2013 e garantir sua reeleição em 2014.

A avaliação é da The Economist, que ressalta que apesar dos “esforços frenéticos” do governo para estimular a economia, o crescimento de 0,6% no terceiro trimestre – metade da previsão inicial de Mantega – junto com o agregado de 1,5% esperado para o ano e 3% para 2013 sinalizam a necessidade de mudanças mais profundas.

Para a revista o fim da alta do preço das commodities, o comprometimento da renda da população com dívidas e o alto índice de emprego sinaliza uma necessidade de crescer a economia por meio de  mais produtividade e investimento ao invés de estimular o consumo.

“Isso significa se livrar do Custo Brasil, a combinação de burocracia, altos impostos, crédito caro, infraestrutura deficiente e moeda sobrevalorizada que faz o país ser punitivamente caro para fazer negócios”, resume a publicação.

A The Economist destaca os esforços para cortar taxas de juros, que nos últimos 15 meses caíram 5,25 pontos percentuais para 7,5%, os cortes nos impostos da folha de pagamento, o corte nas tarifas elétricas e a privatização de aeroportos, rodovias e ferrovias.

Mesmo assim, analisa a revista, o investimento caiu em todos os últimos cinco trimestres, chegando agora a 18,7% do PIB, contra 30% do Peru e 27% do Chile e da Colômbia em 2011.

“Os empresários são cautelosos porque o governo interfere demais”, afirma a revista, usando exemplos como a redução dos juros dos bancos privados e das tarifas das operadoras de energia “por diktat”.

“Ainda mais que seu antecessor Lula, Dilma parece acreditar que o estado deve dirigir as decisões de investimento privadas”, avalia a The Economist.

Para a publicação, o governo deveria escapar da tentação de seguir respondendo ao baixo crescimento da economia com cortes nos juros e deveria concentrar os esforços no Custo Brasil e em assuntos como a legislação trabalhista.

“Dilma insiste que é pragmática. Se é, deveria demitir Mantega, cujo excesso de otimismo perdeu a confiança dos investidores e escolher uma nova equipe econômica”, recomenda a revista, apontando  que o crescimento econômico garantiu as reeleições de Lula e Fernando Henrique Cardoso. “O eleitorado pode avaliar que ao tentar fazer malabarismos com muitas bolas econômicas, Dilma derrubou a maioria delas”, conclui a The Economist.