Equipe CrowdSim: Luiz Cunha, Soraia Musse, Vinicius Cassol e Anderson da Silva. Foto: divulgação

O Laboratório de Simulação de Humanos Virtuais da Faculdade de Informática da PUCRS (Facin), desenvolveu o CrowdSim, um software capaz de simular a evacuação em locais com grande aglomeração de pessoas, como estádios de futebol, shows, espetáculos, escolas ou prédios residenciais e comerciais.

Vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), o programa foi elaborado a partir de um projeto de pesquisa apoiado pela Finep. Segundo a equipe, o simulador é inédito no Brasil.

PÂNICO MONITORADO
Conforme a coordenadora do projeto e professora da Facin, Soraia Raupp Musse, o CrowdSim, se diferencia por representar diferentes situações, inclusive eventos de pânico e emergência, com tumulto.

"Podemos agregar comportamentos diferenciados como o trajeto de pessoas com dificuldades de locomoção ou crianças que se perdem dos pais, pois diversos fatores podem influenciar no resultado de uma evacuação.", explica.

O software foi criado para ser uma ferramenta de simulação dos movimentos de pedestres.
Soraia descreve como vantagem a utilização para a escolha da localização de câmeras de segurança, saídas de emergência, redimensionamento de corredores, portas e áreas de trânsito.

“A grande utilidade do CrowdSim é a prevenção de problemas e exploração de diversas situações sem colocar as pessoas em uma situação falsa em que o comportamento caótico é interferido por ter consciência de que se trata de uma simulação”, afirma.

Inicialmente, o software foi testado no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, no Rio de Janeiro. Para isso, foram levantados dados da estrutura física, capacidade de lotação e ocupação durante os jogos para configurar a ferramenta.

Soraia conta que houve conversação com responsáveis por estádios locais, do Grêmio e do Internacional, mas que por enquanto apenas o diretor executivo do Engenhão, Sérgio Landau, concretizou o acordo para a simulação.

Os resultados mostram que o estádio pode ser evacuado em seis minutos e 30 segundos em uma situação normal de final de partida com sua lotação máxima e 46.831 mil pessoas presentes, e todas as saídas disponíveis. Já em outra situação, com o caracol esquerdo do local interrompido, o tempo decorrido aumenta para sete minutos.

A coordenadora, que fez doutorado na área em 2000, na Suíça, diz que uma das capacidades do CrowdSim é o configurador de cenário, que realiza a leitura do arquivo geométrico do ambiente. Assim, definem-se os pontos do local – como o bar, as entradas, os banheiros – e porcentagem de pessoas para configurar a simulação.

O programa foi desenvolvido em um ano e dois meses pela equipe de pesquisadores formada por  Rafael Rodrigues, Vinicius Cassol, Anderson Silva e Luiz Cunha,  e uma empresa parceira para a produção do software.

COMERCIAL
Na atual fase, a equipe está em busca de parcerias para finalizar os últimos ajustes e disponibilizá-lo comercialmente.

Segundo a professora, o feedback sobre o projeto é unânime em positividade, mas muitos empreendedores ainda não enxergam a necessidade em investir na prevenção e na simulação de acidentes utilizando a tecnologia.

“A literatura desta área afirma que a inteligência coletiva é emergente, que converge para sobreviver bem. E geralmente, em acidentes com grandes multidões, é o local que não está preparado e não permite que os bons conhecimentos sejam aplicados”, diz.

Soraia já trabalhou em empresas que aplicam tecnologia no controle de multidões cita a Inglaterra e, de um modo geral, as cidades Olímpicas como um país avançado na segurança de grandes eventos.

No Estádio de Wembley, a coordenadora assistiu a um amistoso entre as seleções de Inglaterra e Brasil onde teve a oportunidade de perceber a preocupação segurança de grandes eventos, com câmeras e logística.

“No jogo que fui, os policiais separavam as pessoas em grandes grupos para o deslocamento acontecer com maior facilidade. Além disso, conversavam e contavam piadas para que o clima de tensão se dissipasse”, lembra.