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Os créditos com garantia de veículo têm crescido exponencialmente no Brasil nos últimos anos, configurando-se como uma possibilidade a mais para o caso de quitar dívidas, fazer uma viagem ou inclusive um empreendimento.

Entre as várias modalidades de crédito pessoal existentes no mercado se encontram aquelas que exigem como garantia um veículo em nome de quem a toma. Isso muitos de nós já sabemos, no entanto, o que muita gente não sabe é quais são as exigências inerentes a esse tipo de crédito.

Por isso, buscaremos neste artigo aclarar alguns pontos relativos ao tema, de forma que se possa entender melhor como funciona esse gênero de empréstimo e também do que depende sua obtenção. Evidentemente, isso não implica que as pessoas que busquem pedir um crédito deixem de fazer o maior número possível de cotações, pois como bem sabemos, os empréstimos pessoais variam segundo cada instituição financeira. 

O que é um crédito com garantia de veículo?

O crédito com garantia de veículo, também chamado de refinanciamento de veículo, vem sendo amplamente buscado em nosso país. Como a maioria das transações financeiras, este tipo de empréstimo pode sofrer variações em relação a seus prazos e taxas de acordo com a relação que se tenha com a instituição financeira na qual será feito.

É uma modalidade na qual o tomador oferece como garantia do pagamento do compromisso um veículo qualquer em seu nome, seja um carro, seja uma moto.

Por conta da garantia em questão, o que oferece aos bancos e demais instituições financeiras mais segurança no que toca aos compromissos de seu tomador, costuma ter condições bastante interessantes se comparadas a outras formas de crédito.

Dentre as várias vantagens a seu favor, estão: taxas de juros mais atrativas que o crédito pessoal sem garantias reais; os valores que podem ser requisitados (geralmente situados entre 50 e 80% do bem, de acordo com o seu valor de mercado (tabela FIPE); prazos mais longos de pagamento (entre 48 e 60 meses, geralmente); e o fato de ter um processo de obtenção consideravelmente simples e rápido, muitas vezes, inclusive, podendo ser realizado de forma inteiramente on-line.

Outro atrativo desta modalidade é que ela pode ser tomada por pessoas que no momento em que a busquem estejam com algum tipo de dívida e inclusive pessoas que figurem com o nome sujo no Serasa ou no SPC, contingente este que, segundo os dados de ambos órgãos, tem registrado um aumentado significativo nos últimos anos. Todavia, vale dizer que, independente de todas essas aparentes facilidades, é um crédito que sempre estará sujeito a uma análise de crédito.

Em relação ao veículo que servirá de garantia, quais são as condições exigidas para o empréstimo?

Não apenas o tomador do empréstimo passará por uma avaliação, análise de crédito, como também o veículo a ser oferecido. A instituição financeira fará uma análise levando em conta as condições nas quais se encontra o veículo oferecido à alienação.

Falamos aqui nesses termos, pois é importante que fique claro que o que ocorre é uma alienação fiduciária, ou seja, que o bem posto como garantia ficará vinculado ao banco ou financeira até que o tomador termine de pagar o empréstimo contraído, o que não permite, por exemplo, que o bem seja vendido ou posto como garantia em algum outro empréstimo.

Tal qual ocorre com o empréstimo com a garantia de imóvel, a alienação fiduciária implica que, em caso de não cumprimento do compromisso, o bem alienado poderá ser tomado de você pela instituição credora. 

Claro que isso pode variar segundo a política de cada banco ou instituição financeira, mas geralmente os fatores que se levam em consideração no que concerne ao automóvel que será posto como garantia são: 

O valor do bem. Para tal se considera tanto o valor de mercado do bem de acordo com a tabela FIPE, onde se encontram os preços médios para cada veículo, bem como as condições atuais nas quais se encontram o mesmo, pois pouco importa que seja um carro do último ano, mas que esteja em um estado precário de conservação; 

O ano de fabricação. Muitas vezes as instituições não aceitam veículos com fabricação superior a dez anos, a Caixa Econômica Federal, por exemplo, não aceita veículos com mais de cinco. Outro dado relevante em relação ao ano de fabricação é que, quanto mais novo o veículo, menores serão as taxas de juros. 

Estar em nome da pessoa que tomará o empréstimo. Isso significa que você, mesmo que esteja casada ou casado, não poderá utilizar um veículo para este tipo de empréstimo que esteja em nome de seu cônjuge nem de qualquer outra pessoa de sua família ou circulo de amizades como garantia; 

Veículos com largo histórico de multas e infrações geralmente não são aceitos; 

O tipo de veículo. O tipo de veículo aceito varia de instituição para instituição. Algumas não aceitam motos, vans nem semelhantes, caso da Caixa Econômica; 

 O veículo precisa estar totalmente quitado.  Para fazer a operação o veículo precisa estar totalmente pago e não constar, evidentemente, como garantia em algum outro empréstimo. 

Como podemos ver, um empréstimo com garantia de veículo pode ser uma solução interessante em um momento de aperto financeiro, como forma de substituir os juros altos de uma dívida por juros menores, bem como para fazer uma viagem ou também um empreendimento. No entanto, é necessário ter em conta o compromisso que você terá depois de receber o dinheiro do empréstimo, principalmente no caso desta modalidade com garantia, já que ela pode oferecer valores elevados e de forma rápida, o que nem sempre vem acompanhado de reflexão por parte de quem o toma.

Ou seja, que por mais que as instituições financeiras possam oferecer até, como ocorre em alguns casos, 80 ou 90% do valor do bem como empréstimo, tomar mais dinheiro do que você necessita, por mais atraente que isso possa parecer, pode ser uma armadilha perigosa, inclusive porque você terá um bem sob regime de alienação fiduciária que, em caso de qualquer descumprimento em relação ao pagamento de suas parcelas, poderá ser tomado de você pela instituição credora.