Mulheres tem outro estilo de gestão. Foto: flickr.com/photos/76029035@N02/

Empresas inovadoras lideradas por mulheres têm mais facilidade em atrair e reter talentos do que as lideradas por homens.

É o que aponta um levantamento do Endeavor, no qual 57,7% dos homens declararam ter dificuldades na área de recursos humanos ou no processo produtivo, porcentual que fica em 34,6% entre as mulheres.

O levantamento aponta ainda que elas trazem mais inovação ao setor de serviços, área que já responde por 60% do PIB do país e apresenta maior potencial de crescimento.

A sondagem integra um estudo mais amplo da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), financiado pelo governo sueco. Além do Brasil e da Suécia, Suíça, Estados Unidos, Uganda e Jordânia também participam do estudo.
 
A Endeavor entrevistou empreendedores proprietários de companhias com alto crescimento e faturamento anual entre US$ 10 mil e US$ 10 milhões. Para se encaixar na definição, as empresas necessitam ter um crescimento médio do pessoal ocupado assalariado maior de 20% de maneira por três anos e no mínimo 10 funcionários.

“A escolha por estas empresas não foi aleatória. Segundo o IBGE, as empresas de alto crescimento representam apenas 1,7% dos negócios com empregados no Brasil, mas foram responsáveis pela criação de 57,4% dos empregos gerados entre 2005 e 2008”, diz Juliano Seabra, diretor de Educação, Pesquisa e Cultura da Endeavor.

A pesquisa aponta ainda que, enquanto os homens se concentram em áreas mais tradicionais, como a indústria, e inovam principalmente na criação de produtos – o que gera níveis mais elevados de registro de patentes entre as empresas lideradas por eles -, as mulheres inovam no processo produtivo, como na implementação de novas técnicas de marketing, recursos humanos e integração da equipe.

São inovações que tem menos facilidade de enquadrar-se nos critérios de órgãos de fomento e investidores, o que é agravado pelo fato das mulheres começarem seus negócios com uma rede menor de contatos.

Segundo a Endeavor, 38,5% dos homens entrevistados obtiveram algum tipo de financiamento governamental para suas inovações, enquanto somente 19,2% das mulheres conquistaram o mesmo. Apenas 26% das empreendedoras tem 3 ou mais sócios, metade do índice encontrado entre homens.

Foram entrevistados 52 empreendedores entre setembro e novembro de 2010, sendo 26 homens e 26 mulheres, proprietários de companhias com alto crescimento.

A Endeavor é uma ONG que opera em 17 países visando apoiar empresas com possibilidades de crescimento acelerado. Hoje, o número chega a 443 empresas e 708 empreendedores, totalizando um faturamento de US$ 5 bilhões. Só no Brasil foram R$ 2,4 bilhões.