O manterrupting entrou em evidência durante a última campanha eleitoral americana.

A BETC, uma agência de São Paulo, lançou o Woman Interrupted, um aplicativo que usa o microfone do celular para contabilizar quantas vezes as usuárias são interrompidas por homens ao falar.

O app pede uma calibração de voz para, quanto ativado, analisar conversas e detectar o número de interrupções com base nas diferenças de frequência de voz masculina e feminina. 

A ideia é que o app seja usado em apresentações e reuniões profissionais. 

A novidade está disponível em Android e IOS para português, inglês, espanhol ou francês. 

Nenhuma conversa fica registrada no aplicativo, apenas o número de interrupções, duração e data. 

A meta da BETC é tabular os dados e fazer comparações entre regiões e faixa etária, por exemplo, ajudando na conscientização sobre o chamado manterrupting.

O manterrupting seria a tendência masculina a interromper mais vezes uma mulher durante a sua fala do que faria com outro homem.

O tema tem sido estudado por psicólogos e linguistas, com alguns estudos concluindo que as mulheres são mais interrompidas em suas falas do que os homens, o que é interpretado como uma manifestação de desequilíbrio de gêneros. 

O manterrupting entrou em maior evidência durante a última campanha eleitoral americana, quando o candidato republicano Donald Trump chegou a interromper as falas de Hillary Clinton dezenas de vezes.

“Pode parecer um problema pequeno, mas que reflete questões mais profundas da desigualdade de gênero no trabalho e na sociedade”, comenta Gal Barradas, sócia-fundadora e Co-CEO da BETC São Paulo. “Queremos que os homens se perguntem: será que estou fazendo isso sem perceber? Afinal, do que adianta ter mais mulheres em uma sala de reunião se ninguém escuta o que elas têm a dizer?”, completa. 

A BETC tem políticas de RH sobre igualdade de gênero. 

Tanto a presidência da rede quanto a de seus escritórios pelo mundo - Paris, Londres e São Paulo - são co-lideradas por um homem e uma mulher, desde sua fundação. 

Na agência paulistana, por exemplo, o board executivo é divido igualitariamente entre homens e mulheres.