Luiz Augusto Martins. Foto: Baguete.

A Dígitro, empresa de Florianópolis especializada em soluções de inteligência, segurança e telecom, vai abrir até julho um escritório próprio de prestação de serviços no Paraguai, que será a segunda operação internacional do gênero inaugurada pela companhia, somando-se à mantida desde o começo de 2012 no Peru.

No ano que vem, entram na lista também o México e a Colômbia.

Hoje, a Dígitro tem nove unidades no exterior, na América Latina e Moçambique, mas a maioria são escritórios somente comerciais ou parcerias com revendedores locais.

Agora, a estratégia é fortalecer a estratégia de além-venda, agregando serviços às operações locais, conforme explica o vice-presidente Comercial e de Negócios Internacionais da empresa, Luiz Augusto Martins.

“Para fortalecer esta estratégia de serviço, temos de ter um CNPJ local, e é nisso que estamos investindo”, comenta o executivo durante o Floripa TICs Fórum, que a Dígitro promove até a quinta-feira, 09.

Atualmente, as vendas externas representam algo em torno de 10% dos negócios da Dígitro. Com as novas investidas, a meta é ao menos dobrar esta participação este ano, alcançando um crescimento da ordem de 50% em cinco anos.

Um plano que integra a macro-estratégia da companhia catarinense de crescer 25% em 2013 sobre os R$ 100 milhões faturados em 2012, quando a expansão foi de 16,3% sobre o ano anterior, e novos 25% em 2014.

Martins explica que a escolha dos locais para investimento em escritórios de serviços próprios se baseiam em contratos fechados.

No Peru, foi a Petroperu, com soluções de comunicação e segurança em 19 sites, que motivou a abertura não só da unidade de atendimento, mas também de um centro de desenvolvimento da Dígitro.

No Paraguai, o VP não pode abrir o nome do cliente que resultou no novo escritório, mas afirma que é da área de segurança.

Para atender aos mercados latino-americanos, a empresa investe em equipes locais técnicas e comerciais, e na adaptação das soluções.

“Adaptação, e não apenas tradução”, esclarece Martins, detalhando que este é um trabalho feito no centro peruano, onde o time de 15 especialistas estabelecido em janeiro de 2012 saltou para 30, atualmente, e deve chegar a 40 até o final do ano.  

No Brasil, onde, além da sede, a companhia tem nove regionais e uma rede de canais, também há contratações previstas.

Só para Florianópolis, a intenção é contratar pelo menos 40 desenvolvedores este ano.

Tudo para atender a uma base que hoje passa dos 3,5 mil clientes, reunindo nomes de setores como mineração, manufatura, governo e universidades.

Para seguir crescendo, segundo o VP, a receita do bolo está na flexibilidade da tecnologia criada e oferecida pela Dígitro, que ele define como “nunca um produto pronto” e “sem concorrência” no mercado latino-americano.

“Diferentemente dos gigantes globais, conseguimos oferecer soluções que consideram detalhes, como a estrutura de telefonia de cada país e o meio cultural, incluindo recursos ideais para as necessidades do usuário”, assinala Martins.

Ele destaca, ainda, que essa maleabilidade tecnológica atrai também integradores, que atuam como parceiros pontuais em projetos diversos.

Parcerias fixas, a Dígitro não tem.

No começo do ano passado, a empresa de Florianópolis chegou a anunciar um acordo com a IAI, gigante israelense da área de segurança com vendas de US$ 3,5 bilhões em 2011, mas a aliança não se manteve, em parte devido à divergências culturais no que tange à estratégia de mercado.

Rompimento não total: assim como outros fornecedores, a IAI pode muito bem entrar na lista de parceiros pontuais em qualquer projeto que requeira sua tecnologia.

“Não temos intenção, hoje, de firmar parcerias fixa com empresa alguma”, afirma o vice presidente. “Porém, sempre que um parceiro puder agregar tecnologia a projetos para atendimento de demandas específicas, será integrado”, completa.

Gláucia Civa cobre o Floripa TICs Fórum a convite da Dígitro.