Lucas Sperb. Foto: divulgação.

Lucas Sperb, um gaúcho de 18 anos, pode ser o primeiro brasileiro a adquirir o Google Glass, os cobiçados - e por enquanto restritos - óculos de realidade aumentada do Google. Só um detalhe: ele precisa do dinheiro para ir aos Estados Unidos comprar o gadget.

Estudante do segundo semestre de biomedicina na Universidade Feevale, Sperb teve a ideia para uma aplicação que mostra letras e cifras de músicas no visor do Glass, uma mistura de karaokê e Guitar Hero da vida real em uma plataforma de realidade aumentada.

O jovem foi um dos 2318 felizardos no projeto "If I Had Glass", em que o Google selecionou no Twitter as melhores ideias para o uso dos óculos.

O prêmio é o direito de integrar a iniciativa Glass Explorers, comprando o Google Glass, que até agora tem sua venda limitada a desenvolvedores cadastrados junto à companhia de Mountain View.

Embora não tenha nenhuma experiência com desenvolvimento de softwares, o jovem de Novo Hamburgo destacou que a intenção do Google com o projeto era o de premiar pessoas de fora da comunidade de programadores.

"No meu caso, o que valeu foi a inovação da proposta", observa Lucas, destacando que o Google premiou diversos tipos de iniciativas, desde projetos de cidadãos comuns que queriam usar o Glass para documentar viagens, até os de artistas como o rapper Soulja Boy, que prometeu usar os óculos em seu novo videoclip.

A IDEIA

Segundo o estudante, a ideia para a aplicação nasceu de forma um tanto despretensiosa, que veio quase aos 45 minutos do segundo tempo. Ele sabia do concurso do Google, mas não tinha parado para pensar em nenhuma proposta em especial.

No último dia para o envio de tweets para o projeto, ao chegar em casa, Sperb viu o seu violão encostado num canto. A inspiração veio num estalar de dedos.

Sincronizando o áudio da música nos fones de ouvido do óculos com o visor do Glass, o app pode informar o usuário das trocas de notas ou ritmo das músicas, assim como a sua letra.

"Pensei como seria bom ter uma aplicação assim para ajudar a tocar instrumentos e cantar músicas, eliminando a necessidade de revistas ou partituras", exemplifica.

No caso de Sperb, que se assume como um músico não muito bom, a sua própria invenção pode vir a calhar. "De repente até me ajuda a melhorar", brinca.

Ao receber a aprovação de sua ideia pelo Google, ele fez uma apresentação mais detalhada da iniciativa, que agradou à gigante da internet.

ANTES QUE QUALQUER COISA

Para Lucas, o desafio imediato é o de levantar a grana - cerca de R$ 6 mil - para ir à sede do Google em Nova York e comprar o seu Google Glass.

Embora já tenha sido notificado da premiação no final de março, o jovem não quis fazer grande alarde sobre o fato, e conduziu conversas com universidades como UFRGS e Feevale, assim como alguns empresários para um possível apoio.

Quando perguntado sobre a possibilidade de fazer uma espécie de "vaquinha" online para o projeto, ele explica que é mais difícil, já que estes projetos exigem recompensas para os financiadores.

"Não tenho como prometer algo que ainda não foi efetivamente criado. O desenvolvimento do app é a segunda fase deste projeto, mas antes preciso ter os óculos", ressalta.

Cauteloso para um jovem de sua idade, Sperb aponta o mistério criado pelo Google em torno do Glass em torno de suas cláusulas de uso como um empecilho para alguns tipos de financiamento.

Esta postura tem a ver com a chance de empresas desenvolvedoras de software se interessarem em financiar a sua viagem, condicionadas à cessão do uso do óculos.

"É uma possibilidade, mas é um caso que eu terei que avaliar com cuidado", afirma. Vale lembrar que recentemente o Google ameaçou desativar o Google Glass de quem tentasse vendê-lo para terceiros.

EMPRESA

Na verdade, se o Google Glass chegar às suas mãos, Sperb tem planos bem mais ambiciosos. Ele quer conquistar investidores e desenvolvedores para a criação de uma empresa de apps para os óculos.

"Seria uma grande vantagem no mercado, pois seria o primeiro do país a contar com a tecnologia em mãos", avalia Sperb, acreditando que a procura de empresas para o desenvolvimento de apps pode ser grande.

Investidores já chegaram a entrar em contato com o jovem para possíveis financiamentos, mas ainda falta um plano de negócios mais definido.

"Para isso dar certo, a primeira coisa a se fazer é ter os óculos em mãos. Este é o investimento inicial", finaliza.