Mário Teza e José Fortunati durante a Campus Party de 2013.

Mário Teza, novo presidente da Procempa, assume a companhia com planos colocar em andamento uma agenda positiva na estatal municipal de processamento de dados, protagonista de notícias ruins há mais de um ano.

O ex-diretor geral da Campus Party no Brasil foi anunciado pelo prefeito José Fortunati durante a abertura oficial do Fórum Internacional de Software Livre, nesta quarta-feira, 07.

O profissional substitui Maurício Cunha, um nomeado interinamente após a explosão de um escândalo de má gestão na Procempa, cujo prejuízo é estimado em R$ 10 milhões.

Integrante da Procuradoria Geral de Porto Alegre, Cunha se dedicou basicamente a cortar na carne dentro da estatal ao longo dos últimos meses, promovendo uma série de saídas de funcionários e CCs, sem grandes novidades em termos de projetos antigos ou novos.

A agenda positiva de Teza tem assim uma série de potenciais candidatos, alguns mais imediatos como a Copa do Mundo e outros velhos conhecidos da cidade como a implementação da nota fiscal de serviços e o Sistema Integrado de Administração Tributária (SIAT).

“Meu primeiro passo vai ser me interar da situação e buscar soluções que sejam aceitáveis para todas as partes. É óbvio que não será fácil, porque se não já teria sido feito, mas na nossa área é sempre possível buscar uma solução”, comenta Teza.

Os problemas à frente de Teza são intrincados. 

O processo de implementação da NFS-e em Porto Alegre, iniciado ainda em 2011, está travado desde maio do ano passado, devido a uma decisão da justiça de suspender o contrato da Procempa as empresas responsáveis por implementar o Sistema Integrado de Administração Tributária (SIAT). 

A NFS-e é um sistema a parte do SIAT, mas que funciona sobre uma base de dados comum, de maneira que o projeto da nota não pode andar enquanto novo sistema não andar. Ao todo, os dois problemas juntos podem ter causado uma perda de arrecadação na faixa de R$ 150 milhões.

Teza é um profissional de TI experiente, tendo feito carreira em estatais de processamento de dados, começando pela Procergs, onde foi vice presidente durante o governo Olívio Dutra (PT) e passando depois pela gerência regional da Dataprev. Atualmente, Teza era funcionário do Serpro.

O novo presidente da Procempa, que chegou a ser integrante do Sindppd-RS e fez toda sua carreira em administrações petistas, reconhece que não é uma nomeação óbvia para o cargo, em um momento que o PT é oposição ao governo Fortunati em Porto Alegre.

Embora enfrente oposição petista na capital, Fortunati é uma apoiador da presidente Dilma Rousseff  e pode ter ido buscar em Brasília alternativas para a Procempa. Teza é rápido em descartar conotações partidárias.

“Eu não tenho ambição de representar nenhum partido. Quero trabalhar com as pessoas que estão na Procempa e com toda a comunidade de TI de Porto Alegre, mesmo fora do governo”, adianta o novo presidente.

Como muitos diretores da Procergs durante a administração de Olívio, Teza tem um histórico com o movimento em prol do software livre, tendo sido um dos organizadores de primeira hora do Forúm Internacional de Software Livre, onde teve seu nome anunciado.

Teza não entrou em detalhes sobre política de software na capital, mas indicou que deve seguir uma linha mais pragmática, dizendo que seu trabalho é “apresentar sempre mais de uma opção”.

A liderança da Campus Party de 2009 até o ano passado, quando o evento foi vendido para a Telefônica, pode ter sido uma parte importante da construção da rede de contatos que levaram Teza à presidência da Procempa.

Porto Alegre foi parte da programação do ano passado, por meio de uma promoção que convocava internautas a responderem à pergunta “Como podemos tornar Porto Alegre uma cidade ainda mais inovadora?” e o prefeito José Fortunati foi um participante entusiasmado do evento. 

Também participaram do evento iniciativas como o PortoAlegre.cc, da Unisinos.

A aposta de Fortunati parece ser por um nome com credenciais técnicas e histórico acima de qualquer suspeita para colocar a Procempa de volta em operação.

O trabalho de Teza agora é provar que ele estava certo.