Meg quer a nuvem. Foto: flickr.com/photos/hpgpc

A HP anunciou nesta quarta-feira, 7, um investimento de mais de US$ 1 bilhão, uma quantia considerável de seu orçamento, até 2016 em iniciativas de pesquisa em desenvolvimento de cloud computing.

Segundo analistas, a decisão divulgada pela CEO Meg Whitman é ousada, pois ao apostar na nuvem a empresa ao mesmo tempo tem a chance de concorrer neste mercado, mas podendo se enfraquecer em seus pontos fortes, que são o de hardware e software legado.

O valor a ser investido em cloud é praticamente um terço do valor total despendido pela fabricante em P&D no último ano, que foi de US$ 3,1 bilhão.

Segundo o TI Inside, o dinheiro também irá para a contratação de novos desenvolvedores e consultores. O plano é projetar, construir e executar sistemas de nuvem, assim como tornar sua infraestrutura cloud mais robusta com a construção de 20 novos data centers até o final de 2015.

A expectativa da CEO da HP é atrair clientes corporativos com perfis diferenciados, de olho em empresas interessadas em recursos de TI na modalidade de serviço, seguindo os passos de outras gigantes do segmento, como Microsoft, IBM e a Cisco.

Com a investida, a HP também espera retomar o crescimento perdido nos últimos anos. Embora a empresa tenha estabilizado as suas finanças nos últimos anos, após reajustes e cortes propostos por Whitman, a empresa está com dificuldades de voltar ao lucro e apresentar inovações.

Em sua estratégia cloud, a HP aposta no sucesso das nuvens híbridas, usando principalmente o padrão aberto OpenStack para conectar sistemas de nuvem pública a nuvens privadas.

A distribuição própria do OpenStack será a base de um conjunto de produtos e serviços que HP vai oferecer na nuvem, sob a marca Helion, concorrendo com distribuições próprias da Red Hat, Oracle, Canonical e outras empresas.

No entanto, conforme a opinião de analistas, a oferta desse software poderá prejudicar as vendas de software em nuvem da HP que os clientes pagam para gerenciar seus data centers.

Com a manobra, o negócio de servidores e equipamentos, um dos pontos fortes da HP, pode ser ameaçado. No ano passado, as vendas de servidores da companhia tiveram uma queda de 5%, para US$ 28,2 bilhões. Para completar, a fabricante está investindo cada vez menos nessa frente, um claro indício que o foco pode ir para a nuvem.

Outra questão levantada por especialistas é que, mesmo que substancial dentro da operação da companhia, o valor anunciado pela HP é pequeno em comparação com os investimentos em nuvem de concorrentes como o Google, Amazon.com e Microsoft.

Para ter uma ideia, o US$ 1 bilhão anunciado para dois anos pela HP é quase nada em relação à média de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões gastos trimestralmente pelas gigantes em data centers, isso sem contar os bilhões de dólares gastos em P&D.

"Eles não desenvolveram uma oferta de produto suficiente pelo preço certo para combater a Amazon, por exemplo", disse a analista do Gartner, Lydia Leong, ao New York Times.