Gilnei Quintana Marques.

Gilnei Quintana Marques, fundador do Baguete Diário, faria 50 anos de idade nesta quarta-feira, 08.

A história que eu vou recapitular agora nós já contamos aqui e ali milhares de vezes. O Gilnei começou essa empresa 20 anos atrás, mandando um e-mail diário com as principais notícias do dia para seus amigos.

A lista foi evoluindo, ganhou um nome (junto com o slogan “notícias fresquinhas toda manhã”) e eventualmente se transformou numa grande empresa de clipagem e fornecimento de conteúdo para centenas de provedores de Internet em todo país.

As coisas mudaram, os provedores quebraram ou foram comprados, e o Baguete se reconverteu em 2002 em um site de notícias de TI, mantendo o velho nome, ainda que ele não se encaixasse muito bem com o novo tema.

Pode ser um dos primeiros cases de sucesso de marketing orientado por teimosia, o que tem tudo a ver com o fundador da empresa, porque o Gilnei era um sujeito teimoso. Ele teimou que a Internet era o futuro do jornalismo, depois teimou que o setor de TI era um nicho promissor. 

(Para aqueles que acham que teimosia não é uma qualidade, podemos dizer que ele tinha uma visão e a convicção necessária para levá-la a cabo, como costumam ter os bons empreendedores).

Os que tiveram a sorte de conhecer o Gilnei pessoalmente sabem que ele tinha outras qualidades: o bom humor, o carisma que vinha embalado num jeito às vezes meio turrão, a capacidade de sentir entusiamo e entusiasmar os outros e uma curiosidade insaciável.

As qualidades do Gilnei foram postas à prova com o câncer, que ele descobriu em 2004, quando o Baguete estava consolidado como uma referência regional em TI e começava a se firmar em nível nacional.

O Gilnei reagiu do jeito dele. Começou a escrever o Trópico de Câncer, um blog sobre a doença que se tornou referência. Seguiu participando sempre que possível do cotidiano do Baguete, uma empresa que foi a porta de entrada no mercado de duas ou três gerações de jornalistas.

O futuro desse site figurou entre as preocupações do Gilnei até os últimos dias da vida dele. Mesmo na hora mais complicada, ele se negava a considerar a hipótese de vender a empresa. A resposta pronta era que ninguém pagaria o que ele achava que valia, o que provavelmente era verdade.

Nós perdemos o Gilnei prematuramente, com apenas 40 anos, no dia 15 de novembro de 2006. Gosto de pensar que ele aprovaria os rumos que a empresa tomou desde então. Para nós com certeza é uma honra manter e aprimorar esse legado.

-- Maurício Renner