A seleção, pelo menos, empolgou a galera. Foto: Rafael Ribeiro/CBF.

A Copa das Confederações não foi um sucesso. Quem diz isso são os próprios torcedores brasileiros, nas seis cidades-sede do evento, questionados por uma pesquisa encomendada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

De acordo com o levantamento, a copa não foi capaz de movimentar o turismo interno, assim como também não atraiu o turista estrangeiro.

85% das pessoas que foram aos estádios moravam no mesmo estado onde estava sendo realizado o evento. Conforme a Fifa, apenas 3% dos ingressos foram comprados por torcedores estrangeiros.

No geral, o número até foi positivo, levando em consideração que a média de público nos jogos ficou em cerca de 50 mil torcedores.

No entanto, a ducha de água fria no faturamento é endossada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), que apontou os impactos da baixa movimentação de turistas no comércio, que contava com um provável aumento de demanda.

"Uma pesquisa anterior realizada em abril desse ano, mostrou que 83% dos comerciantes acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais. A falta de turistas no evento, aliada aos resultados das manifestações nas ruas frustraram essas expectativas”, afirma o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior.

Os entrevistados também deram notas para o evento, que de zero a dez, recebeu uma média sete. Os estádios foram os mais elogiados, recebendo uma classificação de bom ou ótimo de 88% dos participantes.

Outros quesitos com altos percentuais de avaliações positivas foram hospedagem (58%), comércio em geral (57%), bares e restaurantes (56%) e turismo/cultura/eventos (52%).

Já os itens mobilidade urbana (40%), estacionamento (46%), transporte público (48%) e aeroportos (29%) tiveram um maior percentual de avaliações do tipo péssimo ou ruim.

As críticas servem de alerta para as melhorias que precisam ser apressadas para o mundial de 2014. No entanto, 62% ainda consideram o Brasil despreparado, de maneira geral, para o evento no ano que vem.

PERFIL

O estudo também traça o perfil do consumidor que foi aos estádios durante os jogos. De acordo com os dados, a maior parte dos torcedores era formada por homens (62%). A maioria dos espectadores eram solteiros (59%), com idade entre 18 e 34 anos (60%), pertencentes às classes AB (75%).

Na avaliação do gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, o estudo mostra um perfil de consumidor bastante disputado pelo mercado.

“94% dos entrevistados não parcelaram os gastos. Ou seja, é um comprador que não apresenta qualquer tipo de risco, porque a paga a vista e tem um alto poder aquisitivo”, avalia.

Embora 83% dos varejistas acreditavam que a Copa das Confederações iria trazer novas oportunidades de desenvolvimento para os negócios locais, a pesquisa realizada durante os jogos apontou um cenário diferente: o consumo foi direcionado para o setor de serviços como restaurantes, bares e boates, deixando o segmento varejista a desejar.

Os dados mostram que boa parte dos consumidores pretendiam gastar quantias significativas durante o dia do evento com, por exemplo, alimentação (média de R$ 90 por dia), bares e boates (média de R$ 101 por dia).

No entanto, praticamente 70% do público que foi aos estádios não colocou a mão no bolso para levar um produto de loja para casa (souvenires, roupas, calçados e artigos esportivos).

"O que é de certa forma natural, já que a maioria desses consumidores eram locais e não ira mesmo gastar com souvenires ou artigos esportivos, comumente comprados em viagens para presentear amigos e familiares”, explica Roque Pellizzaro Junior.