Empresas recalculam projeções para 2013. Crescimento deverá ser menor. Foto: Flickr.com/7597649028

Em função de um primeiro semestre – especialmente, segundo trimestre – fraco, o varejo e a indústria de bens de consumo reduziram as projeções de crescimento para 2013.

Segundo o IBGE, no acumulado de 12 meses até novembro de 2012, o comércio cresceu 8,6%. Em fevereiro, caiu para 7,4%, indo a 6,8% em março e a 6,4% em abril.

Os motivos são muitos: a alta do dólar pesando na importação e fabricação de equipamentos, a inflação retraindo o desejo de compra, a redução das vendas em função do fechamento de lojas e redução de clientes nas ruas por conta das manifestações atuais e eventos como a Copa das Confederações.

A avaliação, divulgada pelo Valor Econômico, é reforçada pela Abinee, que reviu para baixo suas expectativas para o ano: se no início de 2013 a associação projetava alta de 8% nas vendas do ano, que somaram R$ 144,5 bilhões em 2012, hoje o índice nõa passa de 5%.

Segundo declarou ao jornal o presidente da Abinee, Humberto Barbato, a receita aquém do esperado obriga a indústria a adiar investimentos, reduzindo de 4% para 3% do faturamento a previsão para o ano.

Um dos exemplos da retenção na indústria de eletroeletrônicos é a Dell, que registrou em junho uma retração generalizada nas vendas, que a diretora de Vendas para Varejo, Deise Dalla Nora, atribui ao aumento da inflação e ao endividamento do consumidor, além de fatores adicionais como os protestos e os jogos.

Para compensar, a Dell vai reajustar para cima os preços de produtos este mês. O percentual de aumento não é divulgado.

Outra fabricante de computadores, a nordestina Elcoma, teve queda de aproximadamente 20% nos pedidos do varejo no que vai de ano, em relação a igual período do ano passado, com recuo de 10% nas vendas em junho.

Conforme apurado pelo Valor, o mercado de consumo no país movimenta mais de R$ 2 trilhões ao ano, e fechou o primeiro semestre de 2013 num cenário pouco animador, que obrigará as indústrias a buscarem recuperação na segunda metade do ano, período responsável por até 60% das vendas.

A recuperação depende de mudanças no quadro atual do país.

Por exemplo: com as manifestações nas ruas, consumidores deixaram de ir às compras e mesmo as lojas tiveram, por vezes, que fechar as portas.

Redes ouvidas pelo jornal chegam a falar em queda de até 25% nas vendas de bens duráveis no varejo entre a segunda e terceira semanas de junho, em relação a uma semana normal.

O desaparecimento dos clientes do comércio nos dias de jogos da Copa das Confederações, o que inclui sábados, o melhor dia para alguns sementos do comércio, também figura como razão para a queda.

Somado a isso, há o cenário de endividamento recorde do país, com índice de 44,3% em abril, e encarecimento do crédito, puxado pela subida da taxa de juros básica.

Voltando à questão cambial, no começo do ano, as grandes fabricantes de eletroeletrônicos e eletrodomésticos pediram reajustes de 2% a 3%, quando o dólar estava estável, e muitas redes seguraram os preços.

Agora, com a moeda americana acumulando alta de 10,5% no ano, a coisa ficou mais complicada e o nível de reajuste para produtos fabricados no país pode chegar a 10%, já que fornecedores de matérias primas, como aço, estão pedindo aumentos de até 20%, analisa o Valor.

Outros setores afetados por estas questões são os de construção civil e calçadista.

Por hora, os setores que resistem à queda nas vendas pelos diversos fatores são os de atacado e supermercados, em função de que as vendas no varejo de alimentos crescem nos finais de semana e que, no caso do atacado, as vendas em grande quantidade, com descontos, animam o consumidor em tempos difíceis.