Milton Larsen Burgese, durante sua passagem anterior pelo Google. Foto: Teenager Assessoria Profissional

Milton Larsen Burgese, ex-country manager da divisão enterprise da Apple no Brasil, acaba de ser contratado para liderar a área de setor público para América Latina no Google Cloud, baseado em São Paulo.

A informação é de fontes de mercado e foi confirmada pelo Baguete.

Burgese havia assumido o cargo na Apple em setembro de 2017, vindo da Microsoft, onde liderava a oferta para setor público, que tinha em computação em nuvem um dos seus carros chefe.

Essa é a segunda passagem de Burgese pelo Google, onde o executivo já liderou a área de educação, tendo sido responsável pelo startup do programa Google for Education no país.

Burgese fez a maior parte da sua carreira na Microsoft, onde ingressou em 1994 como analista, passando depois por cargos como gerente nacional de vendas para setor público e editor para a parte de educação.

O Google Cloud está reforçando sua operação na América Latina.

Em junho, a empresa contratou Eduardo López, ex-VP de Enterprise Architect e Solutions da Oracle, para o cargo de head de Vendas do Google Cloud para a América Latina.

Com a contratação do executivo, o Google criou uma nova estrutura própria para América Latina, que até agora estava junto com Estados Unidos e Canadá, dois mercados muito mais importantes, dentro de uma divisão focada nas Américas.

López é argentino, mas fez carreira na Oracle por quase 20 anos em uma série de cargos na área de vendas baseados no Brasil.

No final de 2018, o Google divulgou que o número total de clientes do Google Cloud no Brasil aumentou um pouco mais de quatro vezes (330%) enquanto o número de revendas aumentou cinco vezes.

É provável que a multiplicação de clientes e parceiros tenha sido tão acelerada porque a base inicial era baixa, mas de todas formas, ela mostra o momento do Google nesse mercado.

Em 2017, o Google lançou uma região do seu cloud para América Latina, baseada em São Paulo. O Brasil também foi o primeiro país a permitir o pagamento em moeda local.

No momento, há muitas oportunidades no fornecimento de serviços de nuvem para o governo, principalmente em nível federal.

Desde o final do governo Dilma Rousseff, acelerando durante o governo Temer, Brasília vem deixando de lado a aposta em software open source e infraestrutura própria que caracterizou as gestões petistas e apostando mais e mais em fornecedores privados.

O símbolo dessa nova era foi um contrato de R$ 29,9 milhões fechado pela Embratel no Ministério do Planejamento para fornecimento de nuvem da AWS. O Planejamento é o ministério que estabelece as diretrizes de TI, entre as quais estava no passado não hospedar dados fora do país.

Não há qualquer indicativo de que o novo governo encabeçado por Jair Bolsonaro vá recuar nessas posições. Todas as sinalizações são no sentido de abrir as portas para a iniciativa privada, incluindo aí os grandes players internacionais de computação em nuvem.