A AGCO adotou, na fábrica de Canoas, um aplicativo criado em parceria com a Kobe. Foto: Divulgação.

A AGCO, fabricante e distribuidora mundial de equipamentos agrícolas, acaba de implementar na manufatura da planta de Canoas, na grande Porto Alegre, um aplicativo criado em parceria com a startup Kobe

O projeto Help Chain (cadeia de ajuda) busca reduzir o tempo de atendimento na linha de produção pelas áreas técnicas de apoio.

A iniciativa é baseada no acionamento de toda a cadeia de apoio técnico em um aplicativo para smartphones. Em vez de acionar um botão físico, o funcionário da produção pressiona um botão nas telas de celulares instalados em pontos específicos das linhas de produção. 

Dessa forma, o aparelho móvel do responsável técnico vibra e indica o local onde a ajuda é requisitada. Ele então também pode solicitar suporte no aplicativo selecionando as áreas da qualidade, logística, engenharia e segurança, por exemplo. 

“As maiores perdas em uma linha de produção estão na falha de comunicação, que atrasa a solução de possíveis correções necessárias. Por isso, qualquer melhoria que agilize este processo é extremamente vantajosa e estratégica para nós”, afirma Felipe  Soares, diretor de TI da AGCO América do Sul. 

O projeto faz parte da estratégia de inovação aberta que busca conectar a AGCO com startups para desenvolver o empreendedorismo na empresa e cultivar a colaboração entre soluções externas e internas. 

Entre as áreas disponíveis para parcerias estão manufatura 4.0, conectividade, inteligência artificial, IoT, mobilidade e experiência com clientes.

“As vantagens da estratégia ‘Open Innovantion’ podem ser percebidas em duas frentes: primeiro, na parceria com a startup brasileira, que nos apresentou um projeto em linha com nossas estimativas e objetivos. Em segundo, no desenvolvimento de uma solução que proporciona maior flexibilidade, mobilidade e agilidade na linha de produção”, completa Soares.

Toda a ação de Help Chain foi desenvolvida com a Kobe, empresa de Porto Alegre, em parceria iniciada no segundo semestre de 2016. Com o resultado do projeto, a iniciativa deve ser expandida para outras quatro plantas da AGCO no Brasil nos próximos meses.

As indústrias tradicionalmente utilizam painéis luminosos, placares ou televisores indicando locais que precisam de apoio técnico. Quando um problema é detectado, o operador pressiona um botão que sinaliza no painel o chamado e, assim, o técnico se desloca para prestar apoio - caso não tenha conhecimento para resolver, ele pode acionar o botão de outras áreas. 

“A comunicação é feita de maneira visual e o tempo de resposta depende da atenção aos painéis. Com o aplicativo, os técnicos são acionados imediatamente identificando o local que demanda apoio. Reduzimos, dessa forma o tempo de acionamento e permitimos mobilidade total dos técnicos”, comenta Alexandre Gewehr, gerente de TI da AGCO.

A iniciativa Help Chain poderá ser adquirida por outras empresas diretamente com a startup Kobe, que possui a permissão de comercializá-la em diferentes setores da indústria.

Nos últimos anos, projetos de tecnologia iniciados pela operação brasileira da AGCO tem sido replicados na operação mundial da companhia.

Em 2015, a multinacional de máquinas agrícolas implementou globalmente uma solução de gerenciamento de ciclo de vida de aplicações (ALM) a partir do exemplo de sucesso do projeto da subsidiária latino-americana, capitaneado por profissionais brasileiros.

O processo começou em 2013, quando o time de TI da da AGCO em Canoas decidiu substituir o Sharepoint da Microsoft pela suíte de aplicativos da Atlassian para coordenar o seu desenvolvimento de software, com consultoria da E-Core, de Porto Alegre.

Já em 2016 a AGCO dos Estados Unidos fechou um projeto de implementação do software de análise de dados Qlik com a gaúcha iMaps, em uma iniciativa que também deu seus primeiros passos na operação do Rio Grande do Sul.

A iMaps entrou no circuito por meio de quatro projetos com a tecnologia realizados desde 2013 para a AGCO América do Sul.

A AGCO fabrica equipamentos agrícolas em seis fábricas no Brasil e também uma na Argentina para o mercado sul-americano. A companhia é dona de marcas como Massey Ferguson, Valtra, Challenger, Fendt e GSI.