Ana Botín. Foto: divulgação.

O banco espanhol Santander está se preparando para ser o primeiro banco global a oferecer serviços de armazenamento de dados na nuvem para seus clientes corporativos, entrando em brigas além do mercado financeiro.

Segundo destacou o Financial Times na semana passada, a estratégia do banco é aproveitar os grandes investimentos feitos pelo banco em sua infraestrutura de TI e capitalizar em cima deles de outras formas.

Além disso, ao atuar também na parte de estrutura de TI, o banco pretende buscar vantagens competitivas sobre a concorrência  na venda de outros produtos cloud para empresas.

“À medida que vou pensando como vamos competir com todos estes novos players tecnológicos, eu posso oferecer os mesmo serviços que algumas destas grandes empresas", destacou a CEO do Santander, Ana Botín.

A investida do Santander vem em tempos em que a segurança se tornou a preocupação principal de muitas companhias interessadas em levar informações para a nuvem, depois do caso de espionagem da NSA revelado em meados de 2013.

Entretanto, para o banco espanhol, por ser uma instituição em que segurança de TI é uma parte integral do negócio, a oferta pode ser atraente para clientes mais preocupados.

A proposta de Botín sinaliza a importância que os bancos estão dando para a competição com novas plataformas tecnológicas que estão chegando para competir com o sistema bancário, como carteiras e moedas digitais.

Segundo Richard Lumb, head de serviços financeiros da Accenture, a estimativa é que bancos podem perder um quinto de sua receita em seu modelo tradicional de serviços.

"A escala e velocidade de disrupção tecnológica é uma verdadeia ameaça", afirmou o analista, não descartando a possibilidade que a empresa incomode nomes como Google e AWS.

Com a manobra, o Santander pode mudar as regras do jogo ao invadir o campo de companhias rivais. Outros bancos, como o britânico Barclays, já experimentam com a ideia, oferecendo planos como compartilhamento de documentos para seus correntistas. Para o Santander, entretanto, o plano é bem mais ambicioso. 

“Uma das coisas que os bancos possuem é confiança e resiliência e sabemos que, com todo o risco de ciberataques, isso é incrivelmente importante", destacou Botín.

A oferta também acompanhia o agressivo investimento que o banco espanhol realizou em data centers nos últimos anos. Em junho do ano passado o banco abriu em Campinas um data center de última geração para atender sua demanda de dados na América Latina.

O centro, único Tier 4 no continente, consumiu um investimento de R$ 1,1 bilhão e tem 800 mil metros quadrados. Ele faz parte de uma rede de cinco centros de dados mundiais que o banco conta ao redor do globo. Os outros centros ficam no México, Reino Unido e Espanha, onde existem duas estruturas.

Também em 2014, o banco investiu £ 230 milhões em um centro semelhante em Leicester, na Inglaterra. 

Para Richard Lumb, com o novo serviço o Santander sugere um novo futuro para os bancos, além de ser o depósito seguro de valores monetários. Ele poderá ser o depósito seguro de dados e aplicações.

“Pessoas poderão confiar seus dados aos bancos, talvez com maior confiança que eles tem com uma companhia de tecnologia. Acredito que há potencial para os bancos, principalmente se eles passarem de simples armazenamento para serviços de valor agregado", finalizou o analista.