Em 2015, 27 empresas do país já tiveram queda nos ratings. Foto: staras/Shutterstock.

Na semana passada, o rebaixamento da nota da Petrobras pela agência de classificação de risco Moody’s chamou a atenção do pais. No entanto, o problema é pior, de acordo com um levantamento da Bloomberg. Nos dois primeiros meses do ano, 27 empresas do país tiveram queda nos ratings, enquanto nenhuma apresentou alta nas avaliações.

Para a publicação americana, a contagem ilustra o quão instável está a economia do Brasil e o quanto a situação da Petrobras afeta as empresas. De produtores de commodities a empresas de construção, praticamente nenhuma indústria foi poupada. 

Empresas de construção como OAS e Andrade Gutierrez tiveram seus ratings cortados depois de terem sido colocadas na investigação de corrupção de Petrobras. Produtores de açúcar, incluindo o Grupo Virgolino de Oliveira, e a Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, também sofreram rebaixamentos.

A Bloomberg afirma que a última vez que o Brasil teve uma onda de downgrades como essa foi em 1999.

"Este é um momento verdadeiramente único em termos de debilitação e finanças fracas. A expectativa é que os downgrades superem os upgrades de uma maneira que pode ser recorde em 2015. As perspectivas não são nada boas", afirma Joe Bormann, diretor de finanças corporativas para a América Latina da Fitch Ratings.

Das 82 empresas brasileiras avaliadas pela Fitch, 21 apresentam perspectivas negativas em suas notas, disse Bormann.

Os cortes de rating deste ano se comparam com os 46 que ocorreram no mesmo período de 1999, quando o rating soberano do Brasil foi reduzido em quatro níveis pela Standard & Poor. Na época, a crise financeira da Rússia levou os investidores a tirarem dinheiro de mercados emergentes.