Prof. Adriano Teixeira. Foto: UPF/divulgação.

Desenvolver mais programadores, mais cedo. A Universidade de Passo Fundo (UPF) quer estimular a prática da computação entre os jovens de ensino básico com o realização da 1ª Olimpíada de Programação de Computadores para Estudantes do Ensino Fundamental.

A ser realizada no dia 6 de julho, o concurso reunirá alunos de 6º a 9º ano, com idades de 10 a 13, para aprender lições básicas de programação e colocá-las em prática através de provas e competição, utilizando o Scratch, linguagem de programação criada pelo MIT e voltada a desenvolvedores mirins.

Criado em 2006, o Scratch conta com uma base sólida de usuários ao redor do mundo, sendo inclusive usado em aulas de introdução à computação em universidades como Harvard.

Segundo pesquisas, a interface do programa - simplificada através de funções drag-and-drop, ao mesmo tempo que introduz a conceitos como bibliotecas e scripts - teve melhores resultados com crianças do que outras aplicações com o mesmo propósito, como Alice e Logo (lembra da tartaruguinha?).

A expectativa da universidade é reunir até 30 equipes, cada uma delas lideradas por um professor, de escolas públicas - municipais e estaduais. As inscrições vão até o dia 15 de maio.

Segundo o professor de Ciências da Computação e líder do Grupo de Estudo e Pesquisa em Inclusão Digital da UPF, Adriano Teixeira o objetivo é levar novas formas de utilização dos recursos de tecnologia às escolas e despertar interesse para as áreas de matemática e da informática.

"Enviamos convites para mais de quatrocentas escolas e tivemos uma boa resposta. Contamos com o engajamento dos professores e comunidade escolar para fazer este projeto dar certo", avalia.

PROVAS
Servindo como uma porta de acesso à prática da codificação e desenvolvimento de software, os desafios da olimpíada são mais simples, mas ensinam importantes conceitos básicos de programação.

Antes das provas, o site da olimpíada está disponibilizando lições sobre o Scratch para alunos e professores interessados em aprender os comandos do software da olimpíada e treinar antes do grande dia.

"São tarefas básicas como movimentar objetos na tela e acionar sons através de comandos no programa, por exemplo. Não parece muito, mas já servem para os alunos conhecerem o poder que a plataforma tem", afirma.

E para Teixeira, a palavra "poder" tem um sentido especial nisso tudo. Segundo o professor, levar o conhecimento de programação para uma jovens mais concentrados em serem usuários de computadores tem um peso grande.

"Queremos que estas crianças e adolescentes saibam que podem ser autores e não só consumidores de produtos tecnológicos", declara.

MERCADO
E falando em poder, além do objetivo imediato, que é de estimular os jovens à prática da computação, outro plano do concurso, mais a longo prazo, tem a ver com o mercado profissional do segmento.

Segundo observa Teixeira, o setor vive um momento de alta demanda e pouca quantidade de profissionais, tanto nas empresas quanto em formação nas universidades.

De acordo com dados divulgados pelo IDC, 39,9 mil posições não preenchidas no setor de TICs em 2011 subirão para 117,2 mil em 2015. Isso significa que a demanda por trabalhadores excederá em 32% a oferta.

Para o professor da UPF, o plano é proporcionar novos desafios, mas também aproximar a Universidade das redes públicas de ensino.

"Faz parte da nossa proposta iniciar estes jovens em um mercado que pode ser bastante atrativo em termos profissionais. Queremos chamar a atenção desde cedo", afirma.

Além disso, segundo aponta o professor, criar uma base de estudantes já versados em programação se reflete em outras áreas do ensino.

"Acredito que, criando um público interessado em aprender e em novas linguagens de comunicação, como o computador, a qualidade do aprendizado também se eleva", avalia.