Elizabeth Ploshay. Foto: Baguete

Embora ainda seja uma moeda nova, criada há cerca de cinco anos, o Bitcoin caminha para um momento decisivo em sua trajetória à medida que fica mais conhecido e valorizado. Há quem diga que em uma década, será a moeda principal de troca na web.

"Em 10 anos, ter bitcoins será coisa comum, pois todo mundo estará utilizando ela", afirmou Elizabeth Ploshay, integrante do conselho diretor da Bitcoin Foundation, entidade de fins não lucrativos dedicada à fiscalizar, informar e disseminar o uso da moeda pelo mundo.

Ploshay, que foi uma das palestrantes da edição 2014 do Fórum de TI do Banrisul, é uma voz otimista em meio à inúmeras pessoas indecisas e incrédulas quanto ao futuro do Bitcoin, um moeda ainda carente de regulações e da segurança que a presença de órgãos como um banco central trazem.

Segundo a palestrante, um dos medos mais comuns para os potenciais investidores em Bitcoin era a grande oscilação do valor da moeda. No entanto, conforme ela mesmo atesta, o valor vem se estabilizando nos últimos meses, na casa dos US$ 450 - no Brasil um bitcoin custa em média R$ 1,2 mil.

Outra preocupação rebatida por Ploshay foi a da segurança da moeda, que recentemente sofreu um baque com o fechamento do Mt.Gox, site japonês de troca de e-cash, que desapareceu com milhões de bitcoins, em perdas de cerca de US$ 450 milhões.

Segundo a executiva, o problema do Mt.Gox foi de má administração e não ocasionado pelo Bitcoin. Para Ploshay, o fato de ser uma moeda virtual e pouco "peso" faz a moeda ainda não ser muito levada a sério.

Rodrigo Batista, sócio do Mercado Bitcoin, site nacional de câmbio da moeda, foi além e estendeu esse alerta aos usuários.

"Também é um caso de educação do usuário sobre a segurança de seu dinheiro. Você guarda seus bitcoins em uma carteira virtual. É preciso tomar medidas para protegê-lo. Na vida real, não deixamos nossa carteira à mostra e não guardamos nosso dinheiro em um único lugar", afirmou.

No entanto, na parte dos governos, o Bitcoin já é coisa séria. Países como EUA, Japão e até mesmo o Brasil já estão de olho em regular e taxar as transferências do dinheiro eletrônico.

"Estamos trabalhando a moeda junto a governos de diversos países. Nos Estados Unidos, já tivemos audiências com parlamentares em Washigton e em Nova York. Inclusive, políticos estão pensando em usar Bitcoin para usar a moeda para doações para suas campanhas", destacou.

Conforme a palestrante, o Brasil ainda está neutro na adoção da novidade, com poucas lojas a aceitando. Segundo dados da Mercado Bitcoin, até o final de 2013, apenas cinco lojas trabalhavam com o Bitcoin. Atualmente, 60 já aceitam, e o plano é chegar a milhares de pontos de venda até o final do ano.

"No Brasil, a moeda ainda mais comprada como investimento, como é feito em outros países em que a moeda é desvalorizada frente ao dólar. Mas a ideia é que mais empresas trabalhem diretamente com pagamentos via Bitcoin", afirma Batista.

Na parte de regulação, Batista diz que o Brasil ainda está em compasso de espera, aguardando uma decisão da comunidade internacional sobre o assunto.

"Como é uma moeda que abrange transações entre usuários de todo o mundo, acredito que a regulação será algo coletivo entre vários países", analisa.

Enquanto isso, o número de empresas aceitando Bitcoin só cresce. De acordo com Ploshay, mais de 30 mil estabelecimentos, físicos e virtuais, aceitam pagamentos no dinheiro digital, e em breve pode chegar na casa dos milhões.

"É uma moeda nova, com uma proposta diferente, que empodera o usuário", afirma a palestrante. Mesmo admitindo a pequena revolução que o Bitcoin possa trazer, ela não crê que ela tenha o poder de derrubar o sistema bancário e financeiro como o conhecemos.

"O modelo econômico em que vivemos continuará, mas com elementos diferentes. O tempo vai mostrar que o Bitcoin é uma tecnologia disruptiva. Nosso trabalho é mostrar boas práticas e mostrar os benefícios de seu uso", finaliza.