Maurice Levy e John Wren, na época da fusão. Foto: divulgação.

A fusão entre as gigantes de comunicação Ominicom e Publicis, um negócio de US$ 35 bilhões anunciado no ano passado e que criaria a maior holding de publicidade do mundo, foi cancelada.

Segundo o Wall Street Journal, as empresas confirmaram a liberação de ambas as companhias de suas obrigações conjuntas, e afirmaram que não serão pagas multas indenizatórias por nenhuma das partes.

Conforme informações do jornal norte-americano, a implosão da fusão veio no rastro de informações de que a fusão passava por momentos tumultuados. Ela seria em Paris e Nova York, mas teria seu registro fiscal no Reino Unido.

Outro suposto motivo do racha seriam os atritos internos sobre a definição de quem seria o chefe financeiro da supercompanhia. A norte-americana Omnicom apontou seu CFO Randall Weisenburger para a posição, enquanto os franceses da Publicis queriam Jean-Michel Etienne.

O conflito de posições também refletia as discrepâncias entre a política de salários das duas empresas. Weisenburger teve em 2012 US$ 10,5 milhões em salários, enquanto Etienne teve salários de US$ 1,2 milhão no mesmo ano.

Mais um ponto de conflito foi legal - e de ego também: as empresas não entraram em acordo sobre o contrato e sobre quem seria o comprador da outra companhia, decisão fundamental para a fusão.

A diretoria da empresa Omnicom não aceitou ser comprada por uma companhia francesa e "menor", que daria aos acionistas atuais 50,64% das ações contra os 49,36% que ficariam com a empresa norte-americana.

Conforme destacaram John Wren, CEO da Omnicom, e Maurice Lévy, CEO da Publicis, em nota à imprensa, os desafios enfrentados no processo de fusão e o ritmo lento de progresso do negócio criaram um nível de incerteza que acabou comprometendo os interesses conjuntos das empresas.

"Decidimos por continuar com nossos caminhos de forma independente. Naturalmente, continuamos como competidores, mas mantendo um grande respeito um pelo outro", destacaram os executivos.

Caso a fusão fosse completada, as duas empresas formariam o maior conglomerado de publicidade do mundo, batendo a líder WPP. A superempresa reuniria debaixo de seu guarda-chuva agências como BBDO, DDB, Ketchum, Saatchi & Saatchi, Leo Burnett, e BBH.

O plano era aumentar a competitivade das duas corporações frente ao aumento de investimentos em publicidade feito em redes sociais como Facebook e sites como Google. Juntas, as empresas tinham o objetivo de aumentar seu poder de fogo, comprando anúncios em maior quantidade e oferecendo com preços menores a seus clientes.

Caso a fusão fosse completada, a Publicis Omnicom teria em seu portfólio empresas como a rivais Coca-Cola e Pepsico, McDonald's, Taco Bell, Johnson & Johnson e Procter & Gamble.

Segundo o Business Insider, quem ficou contente com o fracasso da fusão foi o CEO da britânica WPP, Sir Martin Sorrell, que de certa forma previu que não sairia coisa boa desta união.

Desde o anúncio da fusão, em julho de 2013, Sorrell atacou o negócio, afirmando que ela resultaria em uma hierarquia "capenga" e que as diferenças culturais em gestão, por serem empresas de continentes à parte, gerariam um mau resultado.

Em declaração ao Financial Times, Sorrell aproveitou e disparou a bravata final:

"(O negócio) parece que foi impulsionado pela emoção de bater a WPP da liderança e, é claro, pelo orgulho francês. No fim das coisas, foi um caso em que os olhos foram maiores que a barriga", disparou o executivo inglês.