Bruno Maia.

O SAS, multinacional de soluções de análise de dados, anunciou o começo no Brasil de três novas ofertas dos seus produtos: na nuvem, por meio de appliances e também num modelo de cobrança por resultados, ou para quem gosta de uma sopa de letrinhas, nas modalidades SaaS, IaaS e RaaS.

O modo software como serviço oferece as soluções na nuvem. O SAS está em negociação com um data center brasileiro para abrigar a oferta, disponível também para México, Colômbia, Chile, Argentina, Uruguai, além dos países do Caribe. 

Na abordagem de IaaS, o software é oferecido embarcado em hardware da Teradata e na RaaS (resultados como serviço, na sigla em inglês), as empresas podem oferecer seus dados em templates customizados e pagar de acordo com resultados acordados com o SAS.

O SAS terá a Analysis, empresa carioca de consultoria com analytics e responsável pelo desenvolvimento e análise dos templates, como uma das parceiras para a entrega da oferta RaaS. 

Em nota, o SAS afirma que as novas ofertas abrem possibilidades para a companhia em clientes de pequeno e médio que necessitam de soluções ágeis e modulares, além de departamentos específicos de grandes empresas.

Esse perfil de cliente é um segmento disputado. Um dos players mais fortes dessa área no país é a Qlik, com o software de visualização de dados Qlikview. 

Nos últimos tempos, competem também novas companhias ancoradas no tema de big data como Yellowfin e Tableau, além de empresas tradicionais de BI com ofertas “mini” como a MicroStrategy.

“O grande diferencial da solução é que os clientes do SAS terão à disposição uma oferta pure cloud legítima, com processamento in-memory, toda a infraestrutura de hardware e software e amplo conhecimento analítico do SAS”, afirma Bruno Maia, head do projeto de Cloud Analytics do SAS Brasil.

Diversificação tem sido a palavra de ordem na SAS, o que tem incluído também avanços na venda por canal. No começo do ano, a empresa fechou uma parceria de distribuição com a Arrow, o primeiro acordo do gênero no país. 

Quando o asunto são parcerias diretas, o SAS quer dobrar o número atual de canais, para cerca de 40. A meta é fechar o ano com pelo menos 30% das vendas feitas indiretamente, uma cifra que atualmente fica abaixo de 10%.

O objetivo do SAS com o fortalecimento das vendas indiretas é reforçar a chegada em empresas de médio porte em nível regional e nichos como governo, educação, aéreas e varejo, nos quais não tem a mesma força das áreas de telecomunicações, financeira e seguros onde já é líder.

Com toda essa movimentação, o SAS quer voltar a crescer depois de ter marcado passo no ano passado. A mata é um crescimento de 15% nos negócios em 2016, recolocando a companhia no ritmo de 2014.

O SAS fechou o ano passado com um faturamento de US$ 3,16 bilhões, uma alta de 2,3%. Não são abertos números da operação brasileira, mas ela se manteve entre as 10 maiores, o que não é um feito desprezível depois de uma desvalorização de 50% no real.

“Queremos aumentar a nossa capilaridade sem perder o grau de especialização no atendimento que já temos”, projeta Conrado Leister, presidente do SAS Brasil.

O próprio Leister é parte das mudanças em curso no SAS. O executivo, vindo da SAP, foi contratado em outubro do ano passado, junto com Marvio Portela, ex-Oracle, para a posição de líder de vendas e pré-vendas.

No Brasil desde 1996, o SAS conta com mais de 200 clientes, escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília e cerca de 200 colaboradores.