Didier Lamouche, presidente mundial da Oberthur.

A companhia francesa Oberthur Technologies, especializada no desenvolvimento de chip para cartões bancários e celulares, escolheu o Brasil para desenvolver uma tecnologia que permitirá fazer pagamentos com cartão bancário sem precisar passá-los pelas máquinas de captura de transações (POS, na sigla em inglês). 

"O Brasil é um mercado aberto a inovações na área de tecnologia bancária e terá uma mudança importante com a adoção, nos próximos anos, da tecnologia de pagamento sem contato", disse Didier Lamouche, presidente mundial da Oberthur.

A Oberthur, segundo o Valor, testa com grandes bancos brasileiros o uso de cartões de débito e crédito com a tecnologia de comunicação por aproximação (NFC, na sigla em inglês). 

Esses cartões são dotados de um chip capaz de emitir sinais de alta frequência a uma curta distância, permitindo a troca de dados entre dispositivos a uma distância de até 10 centímetros.

Em junho, a parceria com a Oberthur possibilitou o lançamento de um app de pagamento que reuniu Banco do Brasil, Oi e Visa. A ferramenta utiliza NFC e permite aos usuários tirarem o smartphone do bolso, selecionarem o aplicativo Ourocard Visa e aproximar o aparelho a um terminal de pagamento para concluir uma compra. O aplicativo será usado por um número limitado de portadores de cartão antes de estar disponível para todos os clientes do banco.

No Brasil, dos 3,8 milhões de terminais de captura de transações (máquinas de cartão) em uso, mais de 1 milhão possuem tecnologia para realizar transações com NFC. Bancos como Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal já desenvolveram em parceria com operadoras de telefonia móvel sistemas de pagamento com uso do NFC em smartphones. 

"O ecossistema já está pronto no Brasil. A expectativa é começar a entregar cartões bancários com NFC no fim deste ano para os bancos no país", disse Lamouche.

A Oberthur reforçou a operação no país este ano, com investimento de R$ 20 milhões na ampliação da fábrica que possui em Cotia e com a instalação de uma sede comercial em São Paulo, com 60 profissionais. 

"Atualmente estamos entre as três maiores no Brasil. A meta é alcançar a liderança no país em um par de anos", afirmou o executivo. 

Ele estima que o mercado brasileiro de cartões terá avanços importantes na demanda nos próximos anos, com a adoção dos cartões com NFC. No ano passado, o mercado de cartões no país cresceu 9%, para 800 milhões de unidades, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Esse número inclui cartões de débito, crédito e de redes lojistas.

A concorrente Gemalto também reforçou acordos com bancos e operadoras de cartões que operam no Brasil para colocar em prática projetos de sistemas de pagamento com NFC em cartões de débito e crédito e em chip (SIM Card) para smartphones. 

A companhia holandesa fez investimento no ano passado de R$ 30 milhões para instalar uma nova unidade de produção em Pinhais, no Paraná, tendo em vista a perspectiva de expansão desse mercado.

"Há dois anos operadoras de cartão e bancos testam a tecnologia, mas agora a demanda por chip com NFC para cartões e smartphones começa a se tornar real no país", disse Sergio Muniz, diretor de telecom da Gemalto. 

Muniz estima que a receita global da Gemalto com projetos ligados a NFC vão passar de € 435 milhões em 2013 para € 1 bilhão até 2017.

A Oberthur, que nos últimos três anos dobrou a receita global, para € 1 bilhão, prevê elevar a receita em 20% neste ano no Brasil e globalmente. Além do mercado brasileiro, Estados Unidos, China e Índia têm crescimento expressivo na demanda por chips para cartões bancários. 

Outro segmento em expansão é a produção de chip para smartphones com conexão de quarta geração (4G). A brasileira Valid, que em 2013 teve receita de R$ 1,17 bilhão, tem seu crescimentos sustentado em parte pela demanda por chip para celulares.