Safiri Felix. Foto: divulgação.

Para marcar a sua entrada no mercado brasileiro, a startup de bitcoin Coinverse apostou em uma abordagem diferenciada, trazendo ao país algo inédito: caixa eletrônico para compra e saques usando a criptomoeda.

Instalado no início de junho para aproveitar o movimento da Copa do Mundo, o primeiro caixa da rede fica localizado no shopping Nações Unidas, no complexo WTC São Paulo, centro comercial e financeiro na capital paulista.

Segundo explica Safiri Felix, responsável pela operação Coinverse, a máquina foi importada do Canadá, junto à Genesys One, empresa especializada em ATMs para bitcoin. De valor não divulgado pela companhia, o caixa é o primeiro do tipo na América Latina.

De acordo com Felix, o lançamento foi oportuno para atrair turistas internacionais que estarão visitando o Brasil durante a Copa, que podem retirar fundos de forma facilitada usando seu saldo em bitcoin.

"Tivemos uma resposta positiva durante o mês, com diversos clientes fazendo saques em reais diretamente de sua conta Bitcoin em poucos minutos", explica. Só para ter uma ideia, atualmente 1 bitcoin vale cerca de R$ 1.475, segundo cotação da própria Coinverse.

O lucro da empresa vem da cotação pela qual a moeda é vendida, pois não são cobradas taxas pelas transações, como é feito em bancos, por exemplo. De acordo com Felix, para um estrangeiro, o saque via máquina bitcoins chega a ser mais 15% mais barato que uma casa de Câmbio.

Atualmente, cerca de 2 milhões de pessoas já usam bitcoin no mundo. Para Felix, o Brasil ainda engatinha nesse mercado, tanto na parte de compradores da moeda, assim como em estabelecimentos que trabalham com a novidade.

Em outras partes do mundo, como Estados Unidos e alguns países da Europa, diversos estabelecimentos físicos já aceitam pagamentos com a criptomoeda, indo além do uso na web.

"No Brasil, o bitcoin ainda é mercado de nicho, visto como uma reserva de dinheiro por conta de sua valorização, mas não ainda como uma moeda que pode ser usada no dia a dia", avalia o executivo.

Com os caixas eletrônicos, o objetivo da Coinverse é levar informação a mais pessoas e popularizar mais o uso da moeda, saindo da web - onde a empresa também possui sua plataforma de câmbio - e também assumindo uma abordagem física.

"Acreditamos no potencial do consumidor médio como um usuário de bitcoin, por isso estamos investindo nestes ATMs", destaca Felix, afirmando que a empresa deve inaugurar seu segundo caixa em breve no Rio de Janeiro.

Além disso, a companhia tem uma estratégia de expansão para outros países do Mercosul. O primeiro na mira é o Uruguai, que deve também receber ATMs da companhia.

Mesmo com diversos questionamentos acerca de sua segurança ou de sustentabilidade [um baque foi o fechamento da exchange japonesa Mt.Gox, um prejuízo de US$ 174 milhões], o potencial de crescimento da criptomoeda ainda é grande segundo muitos analistas.

Segundo dados da Coin Market Cap, a mercado bitcoin já valorizou cerca de US$ 8 bilhões desde seu início, e pode atingir um valor de US$ 200 bilhões até 2016. A Coinverse aposta nisso para crescer.

“Estamos com capital e capacidade técnica para ser a maior empresa de Bitcoin de America Latina. Temos diversos parceiros para cumprir com o nosso compromisso de ajudar as pessoas a participar do mundo de Bitcoin e facilitar transações internacionais utilizando essa tecnologia. É uma enorme oportunidade,” finaliza Felix.