Marciano Testa, CEO e fundador do Agibank. Foto: divulgação.

O Agibank, banco digital gaúcho, vai receber um aporte de R$ 400 milhões da gestora de fundos de private equity Vinci Partners, que passará a ter participação minoritária na empresa.

Segundo o site Valor Econômico, o investimento ainda precisa da aprovação do Banco Central e será por meio do fundo VCP III, que já investiu na rede de laboratórios Cura, nas pizzarias Domino's e na empresa de fibra óptica Vero. 

Durante toda a operação, o Agibank teve assessoria do banco de investimento Goldman Sachs.

As empresas não revelaram o tamanho da participação que a Vinci terá na companhia, nem o valor pelo qual o Agibank foi avaliado.

O que se sabe é que a operação elevará para R$ 1 bilhão o capital social do banco e isso representa não apenas um reforço no caixa, mas também sua governança, já que ele passa a ter seu primeiro acionista externo.

Até agora, 97% do capital da empresa era de Marciano Testa, fundador do banco, e os outros 3%, de um grupo de 25 colaboradores que receberam ações como bonificação.

Agora a gestora de fundos passará a ocupar um dos cinco assentos do conselho de administração da instituição financeira. 

"A gente teve a humildade de perceber que precisava de um sócio para entender melhor o mercado. A Vinci vai nos ajudar muito em melhoria de governança e a acelerar algumas iniciativas, especialmente na questão dos canais do banco", disse Testa ao Valor Econômico. 

As conversas entre as duas empresas teriam iniciado alguns meses atrás, depois do Agibank adiar mais de uma vez seus planos de partir para um IPO. 

A intenção de abrir o capital ainda existiria, mas com os novos recursos o banco deve ganhar tempo para se preparar melhor e se concentrar na execução de sua nova estratégia. 

Na nova fase, o Agibank definiu como prioridade o atendimento a clientes com mais de 50 anos de idade e renda de até R$ 4 mil mensais, público que considera mal assistido e com bom potencial de crescimento. Em números, isso se traduz em um mercado endereçável de 50 milhões de pessoas.

"Os clientes prime com mais de 50 anos já estão super ofertados, mas os que têm R$ 4 mil de renda não são, e é uma faixa etária que cresce 10% ao ano no Brasil", destacou Testa à publicação.

Segundo o fundador da empresa, serão oferecidos serviços financeiros e não financeiros para o segmento em um portfólio que ainda está sendo desenhado. 

"Temos uma visão muito positiva da tese de banco de relacionamento com esse público formado por aposentados, pensionistas e clientes com mais de 50 anos de baixa renda", afirmou Gabriel Felzenszwalb, sócio da Vinci, ao Valor Econômico.

Segundo ele, a gestora vinha buscando ativos para se posicionar na onda de desintermediação financeira, e encontrou no Agibank uma combinação que considera promissora: boa equipe, visão centrada no cliente e histórico de resultados positivos.

Parte do dinheiro captado junto à Vinci será usada para ampliar a rede de agências presenciais das atuais 700 unidades para cerca de mil.

Além da venda de produtos e serviços, os pontos de atendimento também são utilizados para os clientes aprenderem a baixar e usar o aplicativo e para o Agibank testar novos comportamentos e públicos.

Com sede em Porto Alegre, o Agibank começou em 1999 como uma financeira chamada Agiplan, até então concentrada no mercado de empréstimos pessoais.

No começo de 2016, incorporou o Banco Gerador, se tornando também um banco. Em 2018, mudou para o nome atual para dar uma guinada digital. 

Além de ter seus pontos de atendimento próprios, o banco disponibiliza mais de 30 mil terminais para saque, por meio de rede de parceiros, e mais de 2 milhões de estabelecimentos credenciados para pagamento via QR Code.

Diferentemente de boa parte dos bancos digitais, o Agibank gera lucro. O resultado no primeiro semestre foi de R$ 38,7 milhões, quase o triplo do obtido no mesmo período de 2019. Nos últimos 5 anos, o banco registrando crescimento dos ativos na ordem de 43,7%.