Foto por Christine Roy em unsplash.com.

À medida que o Coronavirus se espalha pelo mundo, há duas preocupações principais na mente de todos. O primeiro, obviamente, o vírus. Este vírus é altamente contagioso e, embora a taxa de mortalidade seja baixa, os idosos e as pessoas com problemas de saúde subjacentes estão especialmente em risco de mortalidade. 

A segunda preocupação que aflige algumas pessoas mais do que o vírus, é a perda econômica. Para muitas pessoas em todo o mundo, se não trabalharem, não conseguem colocar comida na mesa. E não são apenas as pessoas que estão preocupadas pela falta de dinheiro – os governos também estão.

Os efeitos do confinamento em todo o mundo e a diminuição dos gastos das pessoas que agora estão em casa levaram muitos países à recessão, cujo impacto os líderes estão tentando reduzir. 

É claro que países ao redor do mundo têm ideias diferentes para impulsionar suas economias individuais. Vejamos alguns exemplos.

Wuhan, China: cupons de consumo

Acredita-se que o vírus tenha se originado em Wuhan e foi o primeiro lugar a ter um lockdown em grande escala. Naquela época, o resto do mundo olhava incrédulo, até que posteriormente se depararam com o problema também. Os dias de lockdown já passaram há muito tempo em Wuhan e assim que tudo reabriu, o governo criou um projeto para incentivar as pessoas a gastar dinheiro. 

Foram emitidos digitalmente 71 milhões de dólares em cupons de consumo para os residentes da cidade, por meio do WeChat e Alipay. Os cupons ficaram disponíveis por uma semana e persuadiram os residentes a voltar para a rua e gastá-los, além de algum dinheiro que haviam economizado durante o confinamento! A ideia é que depois daquela semana as pessoas tivessem mais confiança para voltar às ruas e gastar ainda mais dinheiro. 

Funcionou? Sim, foi considerado um sucesso. Wuhan está novamente aberta para negócios e muitas pessoas estão de volta às ruas para gastar dinheiro.

Sicília, Itália: 50% de desconto nos voos

A Itália foi o primeiro país europeu a sofrer com o Coronavírus em maior escala. O principal ponto crítico era a região norte da Lombardia que apresentava grandes problemas com a superlotação dos serviços de saúde locais. O sul da Itália não sofreu tanto, mas ainda assim registrou muitos casos desse vírus contagioso. 

No entanto, a Itália é outro país que depende fortemente do ramo do turismo. Para persuadir as pessoas a visitarem, eles estão ofereceram 50% de desconto nos custos de voo e 33% de desconto nas estadias dos hotéis na ilha da Sicília, no sul. 

Funcionou? Bom, mais turistas voltaram para a Itália do que para outros países da UE, principalmente porque o país conseguiu manter o número de casos de coronavírus mais baixo do que os vizinhos França e Espanha. O programa de vouchers está em andamento, e a indústria do turismo italiana prevê o custo o custo do projeto atinja os 50 milhões de euros até o final do ano.

Ilhas Canárias, Espanha: custos médicos serão cobertos

O turismo é uma das indústrias mais importantes da Espanha, por isso foi absolutamente devastador quando chegou a temporada de verão e os turistas não vieram. Neste ano, houve queda de 97% no número de hóspedes. Inicialmente, isso ocorreu devido ao fechamento de hotéis e Airbnb’s, mas o contínuo número baixo de hóspedes provavelmente se deve às restrições de quarentena de outros países. 

A alternativa da Espanha foi tentar encorajar as pessoas a visitar as Ilhas Canárias. Este grupo de ilhas subtropicais faz parte da Espanha, mas está localizado ao largo da costa oeste da África e tem visto um número relativamente pequeno de casos de COVID. 

O governo espanhol ofereceu-se para cobrir os custos de qualquer pessoa que precisasse de tratamento médico devido à infeção pelo Coronavírus na ilha. Isso é muito benéfico, pois a maioria das apólices de seguro de viagem não cobre as despesas com a doença. Eles também pagarão por qualquer necessidade de quarentena, desde que o viajante esteja em alojamento turístico. 

Funcionou? Bem, infelizmente, as condições ainda não são favoráveis para visitar as Ilhas Canárias – especialmente depois do Reino Unido e outros países aconselharem as pessoas a não viajarem, exceto se for necessário. No entanto, existem algumas conversas sobre como mudar isso. Além disso, como as Ilhas Canárias são um destino para todo o ano devido ao seu clima mais quente, esse lugar ainda pode desfrutar de uma temporada turística.

EUA: pacotes de estímulo

A guerra dos Estados Unidos com o Coronavirus está longa. Eles basicamente abriram agora a sua economia, embora isso tenha tido efeitos prejudiciais; causando uma segunda onda, ou prolongando a primeira onda, como alguns cientistas preferem dizer.

Em março, Trump assinou um decreto oferecendo pacotes de estímulo ao país; oferecendo 1.200 dólares por adulto e 500 dólares por criança como apoio econômico para ajudá-los a sobreviver. Isso se aplica a todas as pessoas que ganham até 75.000 dólares ou casais que ganham até 150.000 dólares. Eles também alocaram redes de inspeção sanitária para famílias de baixa renda. 

Funcionou? Muitos americanos precisavam muito dessa ajuda. No entanto, desde março, não houve mais apoio econômico, portanto, não teve muitos benefícios duradouros.

Reino Unido: Coma fora para ajudar

Nos últimos anos, comprar em lojas britânicas de rua se tornou menos comum na vida cotidiana. A maior probabilidade é que as pessoas realizem suas atividades de forma online, simplesmente porque é mais fácil e rápido do que ir fisicamente às lojas. Mas, após o confinamento, a principal rua britânica registrou ainda menos pessoas comprando.

E não é porque as pessoas não estão comprando, pois, certamente estavam usando lojas virtuais internacionais em vez de negócios locais, também estavam recorrendo aos cassinos online em vez dos físicos e até mesmo participando de refeições virtuais em vez de ir aos restaurantes. O nível de visitas na principal rua do Reino Unido ainda está baixo e as empresas estão lutando para se manter.

Embora a economia britânica beneficie dos negócios online nacionais, muitas empresas não britânicas também podem ser acessadas de forma online, o que não ajuda a economia local. Algumas empresas locais acham difícil fazer tudo pela internet ou não têm sites. Além disso, vender pela internet prejudica o progresso econômico de negócios como restaurantes e cafés, além de impedir compras feitas por impulso.

Então, o Chanceler do Tesouro, Rishi Sunak, propôs um programa para colocar os britânicos de volta nas ruas para gastar dinheiro. Ele convidou restaurantes e cafés de todo o país para participar do programa “eat out to help out” (coma fora para ajudar) que consiste em: de segunda a quarta-feira durante o mês de agosto, os clientes dos restaurantes participantes podem desfrutar de 50% de desconto em alimentos e refrigerantes.

Funcionou? Bem, os restaurantes estavam definitivamente lotados, alguns com recorde de receita. No entanto, isso significava que esses lugares estavam mais silenciosos do que o normal nos fins de semana. Além disso, alguns donos de restaurantes começaram a ter alguns problemas, pois o lugar estava ficando muito lotado e os clientes mais exigentes, então alguns donos acabaram desistindo do programa.

E quanto ao futuro?

Como você pode ver, os países ao redor do mundo estão lidando com a economia de formas diferentes. Alguns estão tentando fazer com que seus cidadãos voltem às ruas e impulsionem os negócios locais, enquanto outros – especialmente os países que são populares entre os turistas no verão – estão trabalhando duro para atrair novamente os turistas para impulsionar sua economia turística. 

Algumas medidas estão funcionando e outras não, e, naturalmente, alguns países se sairão melhor com esta pandemia do que outros. Mas haverá um fim tanto para a pandemia quanto para os impactos econômicos. A OMS disse recentemente que espera que a pandemia termine em dois anos e a maioria dos países está trabalhando para se adaptar à nova normalidade para recuperar suas economias que foram prejudicadas até o momento.