Mike Nash. Foto: divulgação.

"O segmento de PCs precisava de uma injeção de adrenalina". Essa foi a expressão usada pelo VP executivo de produtos de consumo da HP, Mike Nash, para explicar a atual postura da fabricante em relação ao mercado e seus novos lançamentos na categoria de computadores pessoais para o consumidor final.

Às vésperas de se tornar HP Inc, a unidade de computadores pessoais e impressoras da fabricante está apostando alto em uma recuperação do segmento, ou como frisou o VP de sistemas pessoais da HP, Achim Kettler, uma "renascença do mercado de PCs".

Para isso, a empresa anunciou cerca de vinte novos produtos durante um evento realizado em Barcelona esta semana, atacando o público geral com modelos de entrada (Sphere), novos all-in-ones com design diferenciado para quem ainda procura desktops (Envy), designs híbridos (Spectre 360 e X2), e produtos segmentados como notebooks dedicados ao público gamer (Pavillion Gaming e Omen).

Outro chamariz foi um notebook da linha Pavillion com tema especial do filme Star Wars, uma tentativa de atrair o público fã dos filmes. Apesar de toda a empolgação, a empresa não deu detalhes sobre quais lançamentos chegarão logo ao Brasil, preços locais ou quais terão fabricação no país.

"Este é provavelmente o maior lineup de lançamentos que esta companha já colocou em um único evento. Vocês deveriam estar mais empolgados", disparou Kettler para os mais de cem jornalistas convidados para a ocasião.

O ceticismo da platéia tem seus motivos. Apesar de toda a empolgação da HP, o mercado de computadores pessoais vive um momento de baixa em vendas, perdendo espaço para dispositivos móveis como smartphones e tablets - este último, por sua vez, também está atingindo uma curva descendente.

No segundo trimestre de 2015, o segmento de PCs como um todo vendeu cerca de 66 milhões de unidades, segundo dados do IDC. Para fins de comparação, somente a Apple vendeu cerca de 61 milhões de iPhones no mesmo período.

Entretanto, para Ron Coughlin, VP Senior e gerente geral de PCs para consumidor da HP, o jogo pode virar. De acordo com o executivo, cerca de meio bilhão de PCs atualmente em uso pelos consumidores estão defasados em mais de quatro anos, o que representa uma oportunidade de ouro para a fabricante.

"Estamos determinados a levar ao mercado uma grande mostra de inovação e também de valor agregado nesta categoria de produtos", afirmou Coughlin.

Para Mike Nash, o motivo da atual estagnação do PC é simples: muitos produtos ainda não tinham traduzido para o PC os ganhos vistos com tablets ou smartphones.

"Fazemos um grande número de pesquisas de satisfação e às vezes a decisão dos clientes em comprar ou não um PC estava em detalhes como design, touchscreen, bateria, tempo de resposta para ligar o aparelho. Ao afinar isso cada vez mais, podemos chamar a atenção deste comprador", avalia Nash.

Para o VP, a anunciada "morte dos PCs" é um exagero, mesmo com os desanimadores e seguidos percentuais negativos, uma média de -11,8% ano a ano, segundo o IDC. Segundo ele, é provável que as vendas não atinjam as marcas do passado, mas ainda há espaço para crescer.

De acordo com a companhia, apesar de vender menos PCs no agregado geral de shipments (corporativo e consumidor combinados), a HP teve um crescimento de 1,6% em vendas com o cliente final, resultado do lançamento de produtos como o Spectre e o Sprout, desktop de design tridimensional combinado com impressora 3D, um produto que vendeu bem no exterior, mas ainda não deu as caras no Brasil.

Hoje a fabricante ocupa o segundo lugar no share global de PCs, com 18,5% do mercado, figurando atrás da chinesa Lenovo, que tem 20,5%, e na frente da Dell, que leva uma fatia de 14,5%. Segundo Nash, estes números sugerem uma consolidação do segmento em um futuro não muito distante, o que pode ser bom para as vendas.

"É possível que o mercado fique restrito a poucos fabricantes e faixas limitadas de venda, porém temos os produtos, parcerias, como é o caso da Microsoft e o Windows 10, assim como uma marca sólida para ocupar este espaço", finaliza o VP.

* Leandro Souza viajou a Barcelona a convite da HP.