Coronavírus deu um up na imagem dos CIOs. Foto: Pexels.

A pandemia do coronavírus teve muitas consequências negativas, mas por outro lado deixou a autoestima dos tomadores de decisão de TI mais alta do que nunca.

Pelo menos, é o que parece indicar uma pesquisa da Citrix com 250 CIOs e gerentes de TI brasileiros, na qual 91% afirmam que a função do CIO e o departamento de TI estão “mais valorizados do que nunca” dentro da empresa como um todo.

Dentre os pesquisados, 80% concordam que estão pessoalmente em melhor posição para buscar uma promoção e que estão em uma posição muito melhor para negociar o aumento de seu orçamento de TI no futuro (77%).

O motivo foi a implantação de uma hora para outra de práticas de home office em grande escala, nas quais as áreas de TI desempenharam um papel central.

Na média, as empresas dos pesquisados estão com 60% do time em casa.

“As empresas estão percebendo a importância do fornecimento de ferramentas adequadas, flexíveis e do formato de trabalho que os funcionários desejam. Trata-se, sobretudo, de proporcionar uma boa experiência ao colaborador”, explica Luciana Pinheiro, diretora da Citrix Brasil.

PLANEJAMENTO

Pelo menos na versão que os CIOs contaram na pesquisa da Citrix, essa migração para o home office se deu por meio de um planejamento previamente existente e não de improvisações de última hora.

Só 23% dos pesquisados admitiram que não tinham um plano de contingência que previsse a maior parte dos funcionários trabalhando desde casa. 

Na outra ponta, 12% disseram que a organização já tinha uma prática de home office funcionando desde antes da crise.

No meio, ficam os 20% que disseram que tinham planos para a maioria trabalhar de casa e os 18% que o tinham para apenas um quarto dos funcionários.

Apesar de todo o planejamento, 77% dos tomadores de decisão na área de TI ouvidos pela pesquisa afirmam ter visto um aumento nas consultas relacionadas à segurança como resultado do trabalho doméstico e remoto.

Outro aspecto preocupante é que  80% dos entrevistados relataram o uso de “canais informais para comunicação”, o que é um risco de segurança, e, de novo, coloca um pouco de dúvida sobre a extensão do planejamento prévio.

(X) CORONAVÍRUS

Uma piada que circulou no começo da crise do coronavírus trazia uma pesquisa de mentirinha com respostas para a pergunta “o que possibilitou a transformação digital na sua empresa?”. As alternativas incluíam “planejamento” e “profissionais de TI”, mas a resposta certa era “o coronavírus”.

A pesquisa da Citrix toca nesse tema, ao questionar os participantes sobre porque toda a transformação vivida nos últimos meses na rotina de trabalho, uma boa parte da qual está sendo saudada como positiva, não aconteceu antes, afinal.

As respostas indicam os suspeitos habituais: 34% disseram que a “cultura da organização” não apoiava home office, 33% que os chefes queriam ter os funcionários dentro da empresa e 33% que a TI não tinha o orçamento necessário.

BOA VONTADE NÃO DURA PARA SEMPRE

A pesquisa da Citrix não é a primeira a apontar os benefícios para a carreira dos CIOs do agito dos últimos meses.

De acordo com um estudo recente do Gartner, 75% dos entrevistados disseram que educaram seus CEOs e outros líderes seniores durante a crise, enquanto dois terços disseram que ganharam conhecimento das operações de negócios. 

Dos pesquisados pelo Garner, 67% disseram que assumiram a liderança de iniciativas de alto impacto durante o processo de trabalho neste período. 70% dos CIOs listaram o suporte para o home office como sua realização de maior orgulho na resposta à crise. 

Convém não deitar muito em berço esplêndido. Os dias heróicos de implementação do home office já são passado, e as empresas estão preparando o amanhã: de acordo com o levantamento, 43% dos diretores e líderes de TI afirmam que o planejamento para a estratégia pós-Covid-19 de suas empresas já começou.

“A boa vontade com o CEO desaparecerá rapidamente, a menos que os especialistas de TI possam estendê-la, ajudando a empresa a entregar outras iniciativas de alto impacto necessárias durante a recuperação”, alerta Andy Rowsell-Jones, vice-presidente de Pesquisa do Gartner.