Torelly, Pires, Luisa, Sahlberg. Foto: divulgação

Que indicador de negócio a TI precisa de fato entregar à gestão das empresas para realmente mostrar-se alinhada às estratégias administrativas? A pergunta foi lançada pelo superintendente do Hospital Moinhos de Vento (HMV), Fernando Torelly, durante palestra no Mesas TI, promovido pelo Seprorgs nesta sexta-feira, 09, em Porto Alegre.

De formação nas áreas de Administração Hospitalar, de Empresas e de RH, o executivo afirmou com a experiência de quem já geriu instituições como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e hoje comanda uma instituição que atende a 107 mil pacientes/ano que há carência tanto na apresentação de indicadores da TI à gestão, quanto na oferta de soluções do setor para a totalidade de demandas da saúde.

“Já fui gestor de RH, e também me perguntava: o que devo apresentar como medida, indicador, de que nosso departamento realmente contribui para o crescimento da empresa? E sinto isso da TI também”, comentou Torelly.

Em resposta ao questionamento proposto, os CIOs convidados como debatedores para o Mesas TI manifestaram seus posicionamentos.

Para Maria Luisa Malvezzi, CIO do Hospital de Clínicas, o segredo está na integração.

“Temos de trazer indicadores, mas tem que haver integração da TI com a administração e usuários. Precisamos conhecer as demandas e metas, não dá para esperar que a TI tenha super homens e super mulheres capazes de apresentar, só eles, os indicadores alinhados ao crescimento do negócio”, destacou ela.

O CIO da Unimed Porto Alegre, Antonio Pires, também vai na linha da integração.

“Temos um processo na empresa, de ouvir as demandas e, a partir disso, medir a disponibilidade dos serviços e soluções necessários”, destacou.

Já o CIO do Hospital Mãe de Deus, Ricardo Sahlberg, avaliou que não há um indicador-chave que deva vir da TI.

“Geramos uma série de indicadores, é um trabalho que, no fim, ajuda nas ações do setor administrativo”, ressaltou ele.

Torelly avalia a interação entre as áreas como fundamental para o bom funcionamento não só da TI, como da instituição como um todo, especialmente pelo que tange ao usuário.

“O usuário não sabe o que quer: ele pede algo para a TI, a TI faz, depois ele não usa. Do que tem, reclama, o que não tem, quer. Sei que é difícil para vocês”, ponderou, analisando a rotina dos CIOs.

Porém, se o usuário é “difícil”, é também peça mestra da engrenagem das instituições de saúde – afinal, sem médicos, enfermeiros, atendentes, um hospital não vive, ponderou o superintendente. Motivo pelo qual o HMV não descuida deste personagem.

No hospital, que em 2011 realizou R$ 45 milhões em investimentos e deve fechar este ano com um montante de R$ 70 milhões, os médicos e colaboradores da enfermagem trabalham com palms à beira dos leitos de pacientes, com acesso ao ERP MV e BI Interact para controlar laudos, listas, prescrições e outros itens.

Procedimento que ajuda na redução de enganos como os de medicação, que, segundo Torelly, são os erros médicos mais frequentes.

Para ampliar a segurança do paciente ainda mais, o superintendente do HMV é taxativo: falta sistema.

“Não há, hoje, um software que permita cuidar do paciente desde sua entrada no hospital até o fim do tratamento”, atestou o gestor.

Nos erros médicos, por exemplo, ele citou que o método tradicional, do enfermeiro que vai ao quarto com a bandeja de medicamentos e os dá ao paciente, é falho, já que não há um sistema que garanta que aquele é o remédio certo, na dose e horário corretos, para a pessoa indicada.

Com os palms, o HMV já conta com um sistema de alertas quanto a isso, mas a custo de muito trabalho.

“O mais difícil na TI de um hospital é integrar hardware, software, rede e outros recursos. É um fornecedor disso, outro daquilo, cada um com um pedaço. A integração é muito trabalhosa”, reclamou.

Para ele, mesmo o sistema do Moinhos ainda carece de evolução, como a leitura, pelos palms, do código de barra na pulseira do paciente.

“Isso evitaria erro humano, mas hoje temos este tipo de solução em supermercados, mas não em hospitais”, analisou.

Um problema que o HCPA está prestes a solucionar: a TI do hospital, que criou o próprio ERP (utilizado em diversos outros hospitais do país) e desenvolve as aplicações de que necessita acaba de lançar o Prontuário Eletrônico do Paciente Móvel (PEP Móvel).

A solução roda em smartphones com Android e iOS e, em breve, ganhará o leitor de código de barras, segundo Maria Luísa.

Ações que contribuem para chegar mais próximo do que Torelly destaca como entrega de valor ao paciente, o que abrange bom atendimento, com desfecho ideal para cada enfermidade, com preço justo.

“É uma teoria, precisamos de soluções para alcançar a realidade”, destacou o gestor.