To Uber ou not to Uber. Foto: Prathan Chorruangsak / Shutterstock.com

O Uber decidiu parar de negar o óbvio e confirmar que vai começar a oferecer o serviço em Porto Alegre a partir de dezembro.

A informação é do colunista de Zero Hora Tulio Milman, que falou com o gerente-geral da Uber no Brasil, Guilherme Telles.

No final de setembro, o Baguete noticiou em primeira mão que o Uber estava com uma vaga aberta para gerente na capital gaúcha. Semanas depois, foram abertas outras duas, para gerente de marketing e outro de operação e logística.

Ao longo desse período, no entanto, o Uber negava que estivesse em processo de abrir em Porto Alegre.

No primeiro momento, Porto Alegre receberá serviço UberX, com carros populares e tarifas mais baratas. As inscrições para os motoristas parceiros já estão abertas: http://www.parceirospoa.com.

A escolha pelo Uber X e não o UberBlack, com veículos de luxo, provavelmente tem a ver com o baixo preço médio de uma corrida de táxi em Porto Alegre na faixa de R$ 10, segundo a reportagem do Baguete averiguou com taxistas da capital.

Em São Paulo, onde o aplicativo estreou no Brasil, as corridas do Uber são ligeiramente mais baratas que as dos táxis normais. Além da capital paulista, o app funciona também em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Já a decisão de vir a público confirmar o que todo mundo sabia deve ter a ver com fato de já tramitar na Câmara de Vereadores um projeto de lei apoiado pelo Sindicato dos Taxistas (Sintáxi) e pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) que pode tornar o Uber ilegal.

“Os táxis são obrigados a cumprir uma série de demandas, como uso de GPS e carro pintado, por exemplo. Somos a favor de aplicativos que coloquem o usuário em contato com o taxista e não com motoristas estranhos”, disse a ZH o vereador Cláudio Janta (SD), autor de projeto de lei.

A proposta iria a plenário na semana passada, mas um pedido de adiamento do vereador Pablo Mendes Ribeiro (PMDB) adiou a votação por três semanas. 

Nesse período, o Uber precisa, para usar outra palavra alemã, fazer uma blitz na mídia visando gerar apoio para o serviço, no qual confirmar a vinda do serviço é o canhonaço inicial.

As coisas não estão indo bem para o serviço de compartilhamento de carros (na visão da multinacional) ou o app de táxi (na visão de concorrentes, e, cada vez mais, reguladores brasileiros).

No Rio de Janeiro, o prefeito do Eduardo Paes (PMDB), sancionou uma lei proibindo o Uber.

Segundo a lei aprovada, motoristas e empresas não regulamentados pela prefeitura que forem flagrados realizando transporte de passageiros na cidade deverão pagar multa de até R$ 2 mil.

Já São Paulo regulamentou o serviço de uma maneira que na prática é limita as possibilidades de expansão até o ponto em que podemos falar de uma "proibição branca".

O prefeito Fernando Haddad (PT), anunciou a criação de 5 mil novos alvarás para transporte individual de passageiros e o lançamento de uma categoria de “táxi preto”, que só poderá operar por meio de aplicativos, entre eles o Uber. 

A prefeitura não divulgou o valor da nova licença, mas a Folha de S.Paulo afirma que o preço pode chegar a R$ 60 mil.

O Uber se opôs à regulamentação com o argumento algo diáfano de que “não é uma empresa de taxi e, portanto, não se encaixa em qualquer categoria deste tipo de serviço, que é de transporte individual público”.

De acordo com a nova proposta de São Paulo, os aplicativos deverão ser credenciados e só poderão operar com os 38 mil taxistas com alvarás na cidade – os 33 mil já existentes e cinco mil novos (pretos) que serão sorteados.

Os cinco mil novos alvarás serão sorteados pela Caixa Econômica Federal e os motoristas que concorrerem precisam ter o Condutax – cadastro na Prefeitura que habilita o condutor a exercer a atividade de taxista.

No caso de Porto Alegre, a atual legislação só permite o exercício de serviços remunerados de transporte para motoristas registrados junto à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o que inviabiliza o início do Uber na capital gaúcha.

Atualmente a capital gaúcha tem 3.920 táxis em circulação, com 10 mil motoristas credenciados a operá-los.