O Gartner acendeu um alerta para os fornecedores do mercado de PCs. Foto: Pexels.

O Gartner acaba de acender um alerta para os fornecedores líderes do mercado de PCs. A consultoria avalia que as empresas devem decidir entre reformular seus negócios ou deixar o mercado de PCs até 2020. 

Caso decidam continuar, as empresas devem determinar rapidamente quais mudanças precisam realizar ou quais são as alternativas para se adaptarem ao mercado atual, sobrecarregado de PCs.

“O modelo de negócios de PCs que tradicionalmente conhecemos está enfraquecido. Os cinco maiores fornecedores de computadores portáteis conquistaram 11% do mercado nos últimos cinco anos, mas isso ocorreu às custas de uma receita rentável. Não significa que o mercado de PCs acabou, mas a base instalada de computadores diminuirá nos próximos cinco anos”, explica Tracy Tsai, vice-presidente de Pesquisas do Gartner.

De acordo com a executiva, a forma tradicional de conquistar market share por meio de preços competitivos para estimular a demanda não funcionará para o mercado de computadores nos próximos cinco anos. 

“Os atuais fabricantes precisam se ajustar às novas realidades que estão moldando o consumo, como o fato de que os usuários estão estendendo a vida útil dos computadores até o fim, os aplicativos de negócios e o armazenamento estão sendo transferidos para a nuvem e o desempenho dos PCs deixa de ser tão importante", afirma Tracy.

Para trilhar o caminho das fabricantes, o Gartner aponta quatro alternativas que os fornecedores de PCs podem utilizar para se adaptarem ao mercado do futuro, com base na cultura corporativa e ativos, operações comerciais e inovação da tecnologia e na reformulação completa do negócio.

A primeira alternativa, focada nos produtos e no modelo de negócio atuais, possui a abordagem mais conservadora, com o fornecedor gerindo a operação de um negócio e comercializando um computador atual. 

O projeto requer altos volumes para gerar um fluxo de caixa suficiente para cobrir o custo do negócio. Portanto, em um mercado em declínio, a consolidação dos fornecedores é inevitável.

Para Tracy, os fornecedores de PCs precisam agilizar as operações, deixar de focar em conquistar participação de mercado e aumentar a proporção de vendas de produtos intermediários e sofisticados.

A segundo alternativa tem relação com os produtos atuais, mas novos modelos de negócios. A proposta sugere que os fornecedores de computadores formem um novo grupo que possa experimentar novos modelos de negócios e receitas para PCs, como tratar o computador como um serviço. 

Entre os exemplos, a consultoria aponta que empresas podem fazer parcerias com uma editora de conteúdo educacional digital. 

“Nesse modelo, os computadores 2 em 1 do fornecedor são oferecidos com conteúdo digital por meio de uma assinatura, enquanto o PC é gratuito para os usuários e subsidiado pela editora”, relata o Gartner.

A alternativa 3 aborda novos produtos com o modelo de negócios atual. A ideia é explorar a oferta de novos produtos e novas oportunidades de mercado, como tornar os PCs mais inteligentes em termos de detecção, fala, emoção e toque, expandir novos produtos para as casas conectadas ou desenvolver dispositivos específicos para mercados verticais. 

Já a última alternativa explora tanto novos produtos quanto um novo modelo de negócios, sendo a proposta de mudança mais agressiva. Nesse cenário, os fornecedores de PCs podem estabelecer uma nova unidade de negócios para gerir suas atividades de um modo diferente e explorar novas soluções de tecnologia, criando uma linha de produtos nova. 

Isso incluiria trabalhar com parceiros de novos canais e fornecedores de software independentes, além de fazer parcerias com startups. Os recursos e modelos de receita podem ser completamente diferentes da estrutura existente de um fornecedor.

“Algumas empresas talvez precisem de um negócio totalmente novo e de uma estratégia de produtos para reverter sua situação. Os fornecedores precisam identificar suas competências, avaliar seus recursos internos e adotar um ou mais modelos de negócios alternativos”, conclui Tsai.

Para o ZDNet, o momento de invenção marca uma crise nas empresas de PCs. Algumas empresas já perceberam as mudanças e por isso, a definição do PC é cada vez mais abrangente, enquanto o equipamento passa por transformações.

“É difícil definir o PC como algo além de um dispositivo de computação pessoal que tem uma tela grande e é usado principalmente com um teclado. A combinação monitor-teclado-CPU de ontem pode ser agora uma tela fina com um teclado destacável como um Microsoft Surface, ou um laptop que pode fazer ginástica como o Lenovo Yoga, ou uma tela grande que vem com uma caneta como o Surface Studio, ou algo tão fino como um MacBook Air’, explica a publicação.

O recém-lançado Studio Surface, da Microsoft, é um exemplo das novidades do setor. O computador conta com tela ajustável que permite que a tela fique quase inteiramente “deitada” na mesa.  Além disso, o novo acessório Dial Surface pode ser colocado sobre a tela para abrir paletas de cores e outras opções.