NUVEM

Unicred roda cartões na AWS

09/12/2021 18:11

Em um ano, o projeto reduziu em quatro vezes o custo de gerenciamento da infraestrutura.

Foto: divulgação.

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A Unicred, cooperativa financeira com 279 agências em todo o país, adotou a nuvem da Amazon Web Services (AWS) para processar o seu cartão próprio com bandeira Visa.

Com implantação das integradoras BModal Innovative, SouthSystem e Guerreiro e Cia. Consultoria, o projeto durou sete meses e envolveu 70 profissionais de diversas áreas, além de 15 fornecedores diretos.

"Nós precisávamos de infraestrutura em nuvem que fosse segura, tivesse todas as certificações e garantisse escalabilidade para nosso negócio. Foi natural recorrer à AWS", conta Augusto Schuler, diretor de produtos e tecnologia da Unicred.

A companhia passou então a utilizar serviços de containers como o Amazon EKS, de monitoramento com o Amazon CloudWatch, de bancos de dados com o Amazon RDS e Amazon DynamoDB, de computação serverless com AWS Lambda e instâncias do Amazon EC2.

"Esta arquitetura permite que as transações ocorram em tempo real e que a Unicred possa crescer, em termos de quantidade de cartões, sem necessariamente aumentar sua infraestrutura própria, pois se trata de um ambiente em containers e o escalonamento horizontal destes recursos consome pouca infraestrutura", explica Alessandro Antonio Guzzo, gerente de produtos e tecnologia da Unicred.

O cartão foi lançado em setembro de 2020 e hoje está disponível no mercado em cinco versões, com mais de 120 mil unidades emitidas. A nova estrutura processa cerca de 1,5 milhão de transações mensais.

Após um ano, o projeto reduziu em quatro vezes o custo de gerenciamento da infraestrutura.

"Ter esse produto inteiro na nuvem custa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil. Se estivesse on-premises, custaria quatro vezes mais. Em termos gerais, houve uma redução considerável de custos", destaca Alessandro Antonio Guzzo, gerente de produtos e tecnologia da Unicred.

Com isso, a cooperativa afirma ter aumentado sua rentabilidade, o acesso aos cooperados e as possibilidades de inovação.

Depois do projeto, que foi a porta de entrada da Unicred no universo da nuvem, a cooperativa está iniciando a migração de todo o seu sistema de produtos e serviços para a nuvem AWS, o que deve durar em torno de três anos.

Criado há 30 anos, o Sistema Unicred tem origem na área médica, no atendimento a profissionais da área da saúde por meio do oferecimento dos mesmos produtos e serviços dos bancos tradicionais, mas com as vantagens de uma cooperativa de crédito.

Hoje a instituição contabiliza R$ 13,6 bilhões em ativos totais. São 35 cooperativas e aproximadamente 280 unidades de negócios em 15 estados brasileiros, com mais de 220 mil cooperados.

SETOR EM MOVIMENTO

O setor bancário é altamente regulado e com infraestruturas de TI legadas de grande porte. Por isso, fica atrás do mercado em geral quando o tema é adoção de nuvem.

De acordo com uma pesquisa da CIO Surveys, só 16% das empresas do setor de serviços financeiros adotaram nuvens públicas, abaixo da média de mercado de 24%.

Mas existem sinais de que isso está começando a mudar, mesmo no Brasil, em instituições de todo tipo de porte.

Quem está aderindo mais rápido são as novas operações, do tipo fintech, que não têm infraestrutura legada.

Quem parece estar na frente é a AWS, que nos últimos anos fechou contratos com o Digio, plataforma criada pelo Bradesco e pelo Banco do Brasil, e o Fibra, focado em grandes e médias empresas dos setores de agronegócio e corporativo.

O Banco Bari, instituição financeira do Grupo Barigui, também nasceu na nuvem da AWS.

Recentemente, o C6 Bank, fintech fundada por ex-sócios do BTG Pactual, contratou a AWS como seu provedor de nuvem preferencial em um acordo de longo prazo. Com a arquitetura em nuvem, o banco lançou 38 novas features apenas em 2020.

Já o Google Cloud, o principal concorrente da AWS, fechou um contrato com o banco BV, nova marca do Banco Votorantim, quinto maior banco privado brasileiro em ativos.

Mas mesmo os grandes nomes estão se mexendo. No final do ano passado, o Itaú fechou um contrato de 10 anos com a AWS, pelo qual um dos maiores bancos do país deve migrar a “maior parcela” de sua infraestrutura de TI dos mainframes e de seus data centers para a nuvem.

Foi uma mudança de rumos significativa, uma vez que, até pouco tempo atrás, o banco estava apostando pesado em construir a sua própria infraestrutura.

O Google também tem um cliente entre os bancos tradicionais, ainda que bem menor: o Banco BS2, antigo Banco Bonsucesso, anunciou a migração da sua infraestrutura para o Google Cloud.

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