Luiz Fernando Záchia. Foto: Marcelo Bertani/Divulgação.

Luiz Fernando Záchia, ex-deputado estadual e secretário de meio ambiente de Porto Alegre, foi nomeado como diretor administrativo do Ceitec nesta quinta-feira, 9.

A decisão foi publicada no Diário Oficial. Záchia substitui o exonerado Roberto Andrade.

Também saiu da empresa o diretor de novos negócios Carlos Mauricio Araújo, substituído por  Sérgio Roberto de Lima e Silva Filho, ex-gerente de governo eletrônico de Santa Catarina, onde atuou com o novo presidente do Ceitec, Paulo Luna.

Dentre todas as movimentações, a mais chamativa é de Záchia, um político que chegou a ter alguma importância dentro do PMDB gaúcho, mas que andava sumido nos últimos tempos.

Conhecido pelas suas passagens como dirigente do Internacional por alguns períodos entre os anos 80 e 90, Záchia foi engatou uma carreira política bem sucedida nos 2000, se elegendo deputado estadual duas vezes consecutivas entre 2003 e 2011.

Durante esse período, chegou a ser chefe da Casa Civil no governo e Secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais durante o governo de Yeda Crusius (PSDB).

A sorte de Záchia virou em 2013, quando o então secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre foi preso temporariamente por uma operação da Polícia Federal investigando a suposta fraude na concessão de licenças ambientais.

Na época, Záchia chegou a dizer publicamente que estava ‘abandonando a vida política”.

No ano passado, Záchia voltou a aparecer no noticiário, desta vez por uma condenação por uma ação de improbidade administrativa no Detran durante o governo Yeda.

Ao que tudo indica, Záchia decidiu voltar para a vida pública num cargo de menor exposição, dentro do segundo escalão de uma estatal federal com relativamente pouca visibilidade dentro da máquina do governo.

Apesar de não ter nenhuma experiência conhecida no meio de tecnologia, Záchia pode ser mais útil do que parece para os planos de expansão comercial do Ceitec.

Isso porque a empresa joga quase todas suas fichas de futuro em contratos para fornecimento para o governo, nos quais os contatos políticos de Záchia podem ser de ajuda.

Recentemente, o novo presidente do Ceitec, Paulo Luna, falou numa meta de faturamento de R$ 100 milhões em três anos, nada menos que 23 vezes o valor obtido em 2015, último ano com resultados divulgados.

A ideia é ganhar contratos para o fornecimento de chips para os novos passaportes brasileiros, além do Registro Civil Nacional (RCN) e o Sistema de Identificação Automática de Veículos (Siniav).

O Ceitec vem numa trajetória de crescimento nos últimos anos, mas ainda está longe da lucratividade.

O faturamento de 2015, de R$ 4,3 milhões já foi uma alta de 48% frente aos resultados de 2014. Ao mesmo tempo, a companhia aumentou seu prejuízo quase na mesma proporção, fechando com um negativo de R$ 31,2 milhões, frente aos R$ 21,8 milhões do ano anterior. 

No ano, foram mais de 17 milhões de chips vendidos, mais do que nos três anos anteriores juntos. O Ceitec começou a faturar em 2012 e desde então vem crescendo, tendo atingido a marca do R$ 1 milhão em 2013.

A empresa precisa ampliar as vendas, uma vez que tem custos fixos altos. Ao todo, são 195 funcionários, a grande maioria formados, 53 deles com mestrados, sete com doutorados e quatro com pós-doutorados.

Como é comum nesse segmento, a empresa também fez investimentos pesados em tecnologia antes de decolar a operação. 

Um deles foi a implantação no ano passado do SAP S/4Hana, última versão da solução de gestão da multinacional alemã, a um custo total de R$ 2,5 milhões.

A companhia também comprou em 2014 um HP Pod, solução de data center in a box da multinacional, a um custo de R$ 5 milhões.

O Ceitec, destinado a fomentar a indústria de semicondutores brasileiras, é parte da política industrial do governo brasileiro na última década. Os aportes feitos no centro chegam a R$ 670 milhões desde 2000.

A estatal parece estar passando imune pela turbulência e corte de custos em andamento em Brasília.

A última grande discussão sobre o futuro do Ceitec foi em 2013, quando foi discutida publicamente a possibilidade de venda de parte de empresa, deixando o governo como sócio de uma PPP gerida pela iniciativa privada.