Marcelo Claure, diretor de operações do SoftBank Group.

O SoftBank Innovation Fund, super fundo de investimento dos japoneses do Softbank para a América Latina, com um total de US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos, já tem o seu líder no Brasil.

Foi contratado para o escritório do fundo em São Paulo André Maciel, ex-diretor geral na J.P. Morgan, onde ficou por 17 anos em posições de liderança na M&A and Equity Capital Markets, com foco em tecnologia.

Além de Maciel, o time do SoftBank Innovation Fund terá dois executivos baseados em Miami: Shu Nyatta, outro ex-JP, no Softbank desde 2015 e Paulo Passoni,ex-diretor Administrativo e Analista da Third Point LLC, com foco em investimentos na América Latina.

O SoftBank Innovation Fund terá inicialmente escritórios e profissionais de investimentos em Miami, San Carlos (uma pequena cidade no coração do Vale do Silício), Tóquio e São Paulo.

O comando geral é de Marcelo Claure, diretor de operações do SoftBank Group.

Claure é um executivo boliviano naturalizado americano que chegou a COO da Softbank depois da compra do controle da Brightstar, uma companhia de telefonia da qual foi um dos fundadores.

As expectativas em torno do novo fundo do Softbank para América Latina são enormes.

O novo fundo deve mudar as regras do jogo na região, com um capital que representa, sozinho, mais do que todos investimentos em venture capital feitos por todos os investidores na região em 2017 e 2018 somados, segundo um levantamento da consultoria Venturesource publicado pelo The Wall Street Journal.

O Softbank disse que o fundo focará em fintechs, e-commerce, health tech, mobilidade e seguros. 

Uma gigante de telecomunicações e internet no Japão, o Softbank tem se destacado nos últimos anos pelos seus investimentos em nível global, através do Vision Fund, um fundo com capital de US$ 100 bilhões.

Através do Vision Fund, a empresa tem planos de investir em cerca de 70 a 100 unicórnios, como são conhecidas as startups com valor de mercado acima de US$ 1 bilhão.

Antes mesmo da abertura do fundo, o Softbank já fez três investimentos no Brasil: a 99, na qual fez um aporte de US$ 100 milhões em 2017, e a Loggi, onde liderou uma rodada de US$ 500 milhões no ano passado, além de um investimento mais recente na Gympass.

Recentemente, o Brazil Journal revelou que os possíveis alvos do Softbank no país incluem o banco digital C6, fundado pelos ex-BTG Marcelo Kalim e Carlos Fonseca.

Agora é aguardar para ver como o Softbank vai se comportar no mercado latino americano e se ele vai seguir por aqui a sua orientação agressiva.

Críticos da estratégia do fundo apontam que o volume gigante de recursos nem sempre leva a decisões acertadas de investimento.

No ano seguinte a sua fundação, o Vision Fund investiu algo em torno de US$ 40 bilhões. É mais do que os US$ 33 bilhões que todos os fundos de venture capital dos Estados Unidos gastaram juntos em 2017.

Os investimentos incluem grandes tacadas em negócios consolidados, como US$ 8 bilhões na fabricante de chips ARM ou US$ 4 bilhões na fabricante de processadores gráficos Nvidia.

A relação, no entanto, engloba também US$ 4,4 bilhões na WeWork, uma rede de escritórios do tipo coworking que para muitos analistas têm mais hype (balaca, para usar a gíria porto alegrense) do que retorno a oferecer pelo investimento. 

Outros US$ 300 milhões na Wag!, que é, bem, um aplicativo para contratação de passeadores de cachorro.

Parte do motivo pelo qual o fundo gastou tanto até agora é porque o Vision Fund, muitas vezes, insiste em investir mais dinheiro do que as startups com produtos ou serviços ainda incipientes pedem. 

Se os donos não estão muito convencidos, a estratégia é ameaçar financiar algum concorrente.