Algar Telecom passa a ter 110 mil quilômetros de fibra óptica. Foto: Pexels.

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A Algar Telecom fechou um contrato para comprar de 85,2% a 100% da Vogel Telecom, em um negócio com valor máximo de R$ 600 milhões.

A operadora mineira comunicou a intenção em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) neste sábado, 8.

O fechamento da operação ainda está pendente de aprovações regulatórias, assim como dos acionistas das duas empresas, mas acontece dentro de um movimento mais amplo de consolidação no mercado de telecomunicações.

A Vogel tem 27 mil quilômetros de fibra óptica, espalhados por em 150 cidades de 13 estados mais o Distrito Federal. A empresa atende 3,4 mil clientes corporativos.

A rede adquirida é majoritariamente complementar à da companhia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em regiões e bairros compatíveis com seus mercados-alvo e atualmente de difícil acesso para novas construções, justifica a Algar.

A Algar já tem 83 mil quilômetros de fibra, passando a 110 mil com a aquisição. 

Fusões são uma tendência no mercado de provedores de acesso a Internet. 

A própria Vogel é resultado disso, tendo sido formada em 2015 a partir da fusão da gaúcha SouthTech Telecom com as paulistas Avvio e Smart.

Com dinheiro do fundo de investimentos Pátria, um dos maiores do país, a empresa gastou  cerca de R$ 20 milhões para lançar no início de 2018 um backbone nacional próprio, a partir do qual deixou de utilizar a infraestrutura de terceiros para interligar suas redes metropolitanas.

A empresa também cacifou a sua gestão, trazendo, entre outros, o ex-presidente da Microsoft Brasil, Michel Levy, para assumir a sua presidência em 2019.

Agora, a Vogel foi integrada por um grupo maior, com receita líquida foi de R$2,35 bilhões em 2020, um crescimento de 11% em relação ao ano anterior.

A Algar Telecom tem também uma presença forte no corporativo, com o negócio B2B representando 60% do total. 

A consolidação também acontece no mercado voltado para consumidor final, no qual atuam hoje mais de cinco mil provedores regionais, espalhados por partes do país que não são atendidas por grandes operadoras.

A EB Capital, gestora de private equity de Eduardo Sirotsky Melzer, levantou no ano passado R$ 2 bilhões para a EB Fibra, seu projeto de banda larga e já tem hoje 50 mil quilômetros de fibra.

Outro players é a Vero Internet, com um  plano de investimentos prevê R$ 750 milhões até 2023, visando chegar a 200 municípios atendidos.

Quem está bancando as compras é o fundo Vinci Partners, que criou a empresa em 2019 e desde então já fez 15 aquisições de provedores regionais.